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Transferência extrema de massa entre anãs brancas em órbita de 8,5 minutos intriga astrônomos

Sistema binário ultracompacto revela estrelas em processo de devoração mútua e intriga comunidade científica

24/05/2026
Transferência extrema de massa entre anãs brancas em órbita de 8,5 minutos intriga astrônomos
Duas anãs brancas em órbita de 8,5 minutos trocam massa em processo violento, intrigando astrônomos. - Foto: © Foto / NASA

Um par de anãs brancas ultracompactas surpreendeu a comunidade astronômica ao exibir uma transferência de massa extrema: em uma órbita de apenas 8,5 minutos, uma das estrelas devora sua companheira, formando um disco superaquecido que desafia a compreensão dos cientistas.

Pesquisadores dos Estados Unidos identificaram esse raro sistema binário, onde uma anã branca retira e acumula material da outra. Sob a liderança de Emma Chickles, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a equipe realizou uma das análises mais detalhadas já feitas sobre sistemas ultracompactos que trocam massa em órbitas tão curtas – objetos considerados essenciais para os futuros detectores de ondas gravitacionais.

Em sistemas binários extremamente próximos, a transferência de massa pode ocorrer de forma violenta, mas ainda existem dúvidas sobre a intensidade desses processos quando as órbitas duram apenas alguns minutos. As anãs brancas – núcleos estelares do tamanho da Terra, mas com massa semelhante à do Sol – são notoriamente difíceis de estudar nessas condições extremas.

Chickles observa que até mesmo remanescentes estelares podem ser despedaçados sob as circunstâncias apropriadas. Em órbitas inferiores a dez minutos, cada sistema observado apresenta comportamentos distintos, dificultando a criação de um modelo universal para essas interações.

Para desvendar esse mistério, a equipe analisou milhões de imagens coletadas durante uma década em diferentes levantamentos astronômicos. Um sofisticado método algorítmico permitiu identificar variações de brilho quase imperceptíveis, sugerindo episódios de transferência de massa em objetos tão compactos quanto anãs brancas isoladas.

Com esses sinais, Chickles realizou observações nos telescópios Magellan, no Chile, utilizando a câmera de alta velocidade proto-Lightspeed. As medições em tempo real revelaram oscilações luminosas durante eclipses sucessivos, destacando um sistema especialmente promissor identificado pelo levantamento ATLAS: o binário ATLAS J1013−4516, cujas estrelas completam uma órbita em pouco mais de 8,5 minutos.

Nesse sistema, uma das anãs brancas está sendo dilacerada pela companheira, cuja densidade interna é cerca de 250 vezes maior que a do chumbo. O material arrancado forma um disco de acreção extremamente quente e compacto, com dimensões similares às de Saturno e temperaturas superiores às da superfície do Sol.

Por ser um sistema eclipsante, os astrônomos conseguem observar uma estrela passando diante da outra a cada órbita, permitindo medições precisas de massa e dimensões – algo raro para objetos tão exóticos. Essa observação direta sugere que fenômenos semelhantes podem ser muito mais comuns no Universo do que se imaginava.

Os resultados também têm grande relevância para o LISA, futuro observatório espacial de ondas gravitacionais previsto para a década de 2030. O sistema ATLAS J1013−4516 está entre os candidatos que o LISA deve detectar diretamente, indicando que outros binários extremos podem estar ocultos em arquivos astronômicos, aguardando métodos mais sensíveis de identificação.

Por Sputnik Brasil