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Cadillac, Mercedes, Jeep: os carros de luxo de Deolane apreendidos em operação contra o PCC
A operação que resultou na prisão da influenciada Deolane Bezerra, na última quinta-feira, 21, também levou ao bloqueio de R$ 327 milhões dos investigados, além da apreensão de quatro imóveis e 17 veículos.
Seis desses carros são considerados de luxo, e quatro deles estavam sob posse de Deolane no momento da prisão. Os outros dois carros de luxo apreendidos foram com Éverton de Souza, contador da influenciadora apontado como "operador financeiro" do PCC.
Após a operação, quatro veículos foram levados ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), no centro da capital paulista. Entre eles, havia modelos das marcas Mercedes-Benz, Land Rover, Jeep e Cadillac.
Não há informações sobre quais veículos foram percebidos pela influenciada ou pelo contador. No entanto, em fotos publicadas nas redes sociais, Deolane aparece com um Cadillac Escalade, modelo que estava na delegacia.
Ao adquirir o SUV, a influenciada publicou um vídeo afirmando que havia um veículo do mesmo modelo nos Estados Unidos e que gostava do automóvel por parecer "um carro de gangster".
A Cadillac estabelece, em seu site, o preço sugerido de US$ 91,1 mil para um modelo 2026 do Cadillac Escalade nos Estados Unidos – cerca de R$ 456,7 mil na cotação atual. O valor não inclui frete, impostos, taxas de licenciamento, encargos de entrega e equipamentos adicionais.
Apesar de o modelo não ser vendido oficialmente no Brasil, lojas especializadas chegam a anunciar o SUV zero movido por até R$ 2,25 milhões.
Os outros carros apreendidos na operação e levados ao DHPP são um Mercedes-Benz G63, um Range Rover e um Jeep Commander.
Além dos veículos, o pesquisador da Operação Vérnix – força-tarefa da Delegacia-Geral de Polícia e da Procuradoria-Geral de Justiça – também recolheu celulares, cerca de R$ 50 mil em dinheiro, joias, relógios e computadores de Deolane.
A operação também cumpriu mandatos contra Marcos Willians Herbas Camacho, apontado como chefe da facção, além do irmão dele e de dois sobrinhos. Como Marcola já estava preso, ele passa agora a responder a mais uma ordem de prisão.
Indicado por organização criminosa e lavagem de dinheiro, Deolane foi preso em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo as investigações, o esquema operava por meio de uma transportadora de valores do interior paulista controlada pela facção. A dela defesa diz que ela é inocente.
A Polícia Civil afirma estar convencida de que Deolane mantém “relações estreitas” com a cúpula do PCC. Segundo o pesquisador, ela abriu uma equipe de 35 pessoas jurídicas de fachada, todas registradas no mesmo endereço: um conjunto habitacional de Martinópolis.
A polícia chegou até uma influência de celulares apurada nas investigações sobre o PCC. Nos aparelhos, havia mensagens nas quais membros do grupo citavam Deolane.
Além disso, a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo apontam que o patrimônio da influenciadora seria incompatível com os rendimentos declarados por ela e que parte dos recursos teria origem na lavagem de dinheiro para a facção criminosa. Com base nessas informações, a Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva dela.
“Segundo a investigação, a influenciada passou a ocupar posição de destaque em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e declarações de conexão com membros do núcleo de comando da organização criminosa”, afirmou o Ministério Público em comunicado.
“Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, coletas de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão”, acrescentou o órgão.
Após ser detida, Deolane passou por audiência de custódia e foi levada para a Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital. Nesta sexta-feira, 22, ela foi limitada para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do Estado.
A cidade fica próxima de Presidente Venceslau, base da Operação Vérnix, que estabelece um esquema milionário de lavagem de dinheiro do PCC por meio de um transportador de fachada localizado ao lado da Penitenciária II.
Aos pesquisadores, Deolane negou o fornecimento de senhas de seus celulares. O delegado Edmar Rogério Dias Caparroz, da Delegacia Seccional de Presidente Venceslau, afirmou, no entanto, que isso não impedirá a Polícia Civil de acessar dados e diálogos de interesse para o inquérito.
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