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Renovação de blindados até 2040 pode aquecer indústria de defesa, mas veículos podem ficar obsoletos
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas explicam que o programa Forças Blindadas trará solidez para o Exército e alertam para as mudanças no campo de batalha, no qual a utilização de drones tem sido um desafio para este tipo de veículo.
O Exército Brasileiro divulgou na última semana uma atualização de seu Portfólio Estratégico, com destaque para o Programa Estratégico do Exército Forças Blindadas, que prevê a compra e modernização de 2.100 veículos blindados até 2040.
Conforme divulgado pelo braço terrestre das Forças Armadas, a renovação da frota passará pelos veículos Guarani, Centauro II, Guaicurus, Cascavel e viaturas blindadas de socorro, além de obuseiros autopropulsados.
As Forças Armadas do Brasil também garantem que o projeto "assegura a transferência de tecnologia e a qualificação técnica da mão de obra nacional", proporcionando o fortalecimento da cadeia produtiva com a abertura de postos de emprego, aumento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e gerando eventuais exportações.
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas afirmaram que a compra e modernização destes milhares de blindados consolidam a capacidade operacional do Exército e aquecem a indústria nacional de defesa.
No entanto, os 14 anos colocados como prazo são vistos como "tempo demais", em um mundo que assiste à utilização de veículos não tripulados crescer a cada conflito, o que diminui a eficiência deste tipo de veículo em combate.
Hélio Caetano Farias, professor de economia de defesa e de geopolítica no Programa de Pós-Graduação em Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (PPGCM/ECEME), destaca que esta sinalização do Exército Brasileiro de estabelecer um grande volume de aquisições e renovações com um prazo como meta traz estabilidade para a indústria de defesa do país.
"A escala e, sobretudo, a previsibilidade da demanda estimulam os investimentos produtivos, a geração de empregos qualificados, o adensamento das cadeias de fornecedores, a ampliação da capacidade de exportação, além de fortalecer as interações entre a indústria, as universidades e centros de pesquisa e as Forças Armadas. Quando se considera a economia de defesa de um país, é fundamental articular a demanda de modernização das Forças Armadas com a capacidade produtiva nacional."
Farias explica que três tropas do Exército vão ser diretamente beneficiadas com esta renovação dos blindados:
"Trata-se de viaturas com diferentes características, propósitos e capacidades de emprego, sendo, portanto, importantes tanto para ações que preveem combates convencionais quanto para ações de apoio à engenharia, comando e controle, logística, comunicações, saúde, entre outros. Em termos geográficos, os novos blindados estarão voltados à proteção do território nacional como um todo, com destaque para aquelas áreas prioritárias, como a faixa de fronteira, a Amazônia e as porções do território eventualmente em crise."
Como exemplo, Farias destaca que blindados como o Guarani, que tem capacidade anfíbia, são veículos coringa e foram usados para ações humanitárias no Rio Grande do Sul, em 2024, quando o estado foi atingido pelo pior desastre natural de sua história.
O especialista ressalta que esta renovação dos blindados do Exército acontece em uma conjuntura na qual a geopolítica internacional está "mais instável e competitiva", tanto com o crescimento de conflitos interestatais quanto pelo aumento das ameaças híbridas.
Blindados podem se tornar obsoletos até 2040
As duas guerras mundiais do início do século XX trouxeram ao imaginário da humanidade a necessidade dos tanques como meio facilitador para o avanço de tropas terrestres em campo de batalha. Nos dias de hoje, no entanto, ganham espaço nos conflitos contemporâneos os veículos não tripulados, em especial os drones.
Robinson Farinazzo, membro do Instituto de Altos Estudos em Segurança, Geopolítica e Conflitos (Gsec), acredita que os blindados ainda cumprem uma função importante para o Exército, mas o emprego cada vez maior de drones contra estes veículos os torna menos eficientes em um eventual conflito.
"A utilização dos blindados, por incrível que pareça, ainda tem bastante serventia. Você consegue conferir um certo poder de choque para as tropas de infantaria, tem alguma suplementação de artilharia. [...] Eu acredito que pode haver uma possibilidade de as Forças Armadas reverem esses números de aquisição de blindados. No momento, o cenário que nós temos hoje é que eles têm sua serventia. A gente não sabe como as coisas vão ficar até 2040."
Com novas armas no campo de batalha, são exigidas de generais novas estratégias. Farinazzo destaca a atual campanha frustrada dos Estados Unidos no Irã, utilizando-se de planos similares aos aplicados na Guerra do Golfo, em 1991. Para o especialista, o Brasil conseguiria elevar seu poder de dissuasão se investisse em capacidade de combate no mar e em tecnologia de geolocalização.
"Nós temos uma extensão de litoral marítimo bastante grande, então o Brasil precisa pensar em soluções nesse aspecto, principalmente no tocante a manter nossas linhas de comunicação abertas. Ou seja, precisamos de navios com grande alcance, mas também com um armamento com um poder destrutivo e um alcance razoável, como drones, mísseis, etc., além de uma capacidade de autonomia de satélites, coisa que o Brasil ainda está engatinhando."
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