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Para ler e ver: jornalismo em quadrinhos, um outro jeito de se informar (VÍDEOS)

22/05/2026
Para ler e ver: jornalismo em quadrinhos, um outro jeito de se informar (VÍDEOS)
Foto: © Sputnik Brasil / Rennan Rebello

Além da forma tradicional de se fazer jornalismo, as histórias em quadrinhos (HQ) também são usadas como ferramenta de mídia capaz de informar. O estilo ganhou muita força devido à sua capacidade de reportar guerras, migrações, crises sociais e outros temas complexos, combinando apuração, testemunho, impacto visual e narrativas ilustradas.

Esse tipo de produção jornalística não se trata de ficção adaptada com fatos ou de tirinhas que satirizam políticos e temas específicos. Trata-se de uma imersão jornalística baseada em apuração e entrevistas, mas contada por meio de imagens e balões de diálogo. É o que explica Mariana Viana, jornalista especializada em quadrinhos do canal Fora do Plástico, em entrevista à Sputnik Brasil.

"Há uma associação muito grande quando se fala em quadrinhos no jornalismo com tiras como Mafalda e Calvin e Haroldo. Mas, na verdade, trata-se de produção jornalística em quadrinhos para fazer reportagem. Ou seja, haverá todas as características de uma reportagem tradicional, só que acrescida do suporte visual e dos elementos dos quadrinhos, com texto e imagem conjugados", disse.

Nesse aspecto, Mariana aponta que, por meio da nona arte, como as HQs são conhecidas entre seus adeptos, é possível utilizar a imagem não apenas como um acessório narrativo, mas sim como um complemento ao texto feito pelo jornalista.

"Muitas vezes, a imagem vai dizer muito mais do que o próprio texto, porque se elimina aquilo que estaria sendo descrito, já que temos uma ilustração. E o jornalismo em quadrinhos, então, vai caminhar nesse sentido para produzir matérias", comenta.

Joe Sacco, ícone do jornalismo pela nona arte

Autores como o quadrinista-jornalista maltês Joe Sacco, conhecido por obras sobre a Palestina e a Bósnia, ajudaram a consolidar a reportagem em quadrinhos por terem sistematizado a forma de produzir e mesclar dois polos em sua rotina profissional: o jornalismo com a metodologia quadrinhística, como explica Mariana.

"Joe Sacco, acima de tudo, é jornalista. Em suas obras, ele se preocupa muito com a apuração e com a representação dos fatos. A partir disso, ele sistematiza o jornalismo no formato de quadrinhos. Seus trabalhos costumam ter temas pesados, como o que acontece na Palestina [publicado na década de 1990], e o mais recente é 'Pagar a Terra', no qual ele aborda a questão dos indígenas no Canadá", destaca.

A relevância desse tipo de trabalho já teve reconhecimento importante, como foi o caso de "Maus", de Art Spiegelman, que venceu o Prêmio Pulitzer, um dos mais tradicionais do jornalismo, em 1992, na categoria Citações e Prêmios Especiais. A obra de Spiegelman acaba sendo uma porta de entrada para novos leitores nesse segmento, como conta a jornalista.

"Se a gente, por um lado, tem o Joe Sacco como a figura central do jornalismo em quadrinhos, também tem o Art Spiegelman com 'Maus', que provavelmente é o quadrinho adulto que as pessoas mais conhecem. Ali há uma história sendo produzida [sobre seu pai, sobrevivente do Holocausto] com representações de gatos [nazistas] e ratos [judeus] que consegue traduzir os horrores do nazismo", observa.

Reportagens ilustradas ajudam a contar a história

A especialista também ressalta que esse tipo de obra, ao mesclar informação e arte gráfica, além de ajudar a contar histórias, também se torna fonte para que o público geral possa entender de forma mais palatável temas complexos como os de ordem geopolítica.

"O jornalismo é ferramenta para a história. Logo, o quadrinho vai ser entretenimento, mas também pode servir como reportagem. Dentro disso, dá para pensar também como essas obras vão sintetizar temas e como essa sintetização precisa ser bem avaliada para não se tornar um produto simplista. Os quadrinhos são algo sintético, mas é possível fazer com que sintetizem da maneira certa", conclui.

O ambiente digital está cada vez mais presente no comportamento da sociedade, e mídias de diversos matizes se adaptam à dinâmica virtual. Nesse cenário, o ato de fazer jornalismo ganha força e projeção ao ocupar meios antes restritos ao entretenimento, consolidando e popularizando as histórias em quadrinhos como uma potente ferramenta de informação visual.


Por Sputinik Brasil