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Justiça francesa condena Airbus e Air France por acidente fatal em voo Rio-Paris
Empresas foram responsabilizadas por homicídio culposo no desastre aéreo de 2009 que vitimou 228 pessoas. Multa aplicada é considerada simbólica, mas impacto na reputação é significativo.
O Tribunal de Apelações da França considerou nesta quinta-feira (21) a Airbus e a Air France responsáveis por homicídio culposo no acidente aéreo do voo AF447, que fazia a rota entre o Rio de Janeiro e Paris em 2009.
"A justiça foi feita", afirmou Daniele Lamy, presidente da associação das vítimas do voo, cujo filho estava entre as 228 pessoas que perderam a vida na tragédia, ao sair do tribunal.
Familiares das vítimas do Airbus A330, que caiu no Atlântico durante uma tempestade em junho de 2009, acompanharam o veredito em silêncio. Em 2023, as duas empresas haviam sido absolvidas em primeira instância, negando repetidamente as acusações.
O novo veredito representa um marco em uma longa batalha judicial travada por familiares das vítimas — em sua maioria francesas, brasileiras e alemãs — contra duas das maiores empresas da França.
O tribunal determinou que Airbus e Air France paguem a multa máxima prevista para homicídio culposo corporativo: 225 mil euros (aproximadamente R$ 1,3 milhão), conforme solicitado pela promotoria durante o julgamento de oito semanas realizado em 2025.
Apesar de as multas representarem apenas alguns minutos da receita das empresas, familiares destacam o peso simbólico da decisão e o impacto sobre a reputação das companhias.
Airbus e Air France anunciaram que vão recorrer à Suprema Corte da França, contrariando os apelos dos familiares das vítimas.
"Não há justificativa humana, moral ou legal para a continuidade deste processo", declarou Daniele Lamy, pedindo o fim do que chamou de "assédio processual" por parte das empresas.
Divisões sobre a causa do acidente
Advogados preveem novos recursos baseados em questões legais, o que pode prolongar o processo por anos. O representante das famílias, Alain Jakubowicz, disse à Reuters que um segundo julgamento completo, com nova análise das provas, não está descartado caso o Tribunal de Cassação rejeite o veredito.
As caixas-pretas do voo AF447 só foram recuperadas em 2011, após dois anos de buscas no Atlântico. O julgamento revelou divergências profundas entre a companhia aérea e a fabricante sobre as causas do acidente, além de diferenças entre o relatório civil — focado nas ações dos pilotos — e a análise judicial, que destacou uma cadeia mais ampla de fatores.
Especialistas avaliam que a decisão não deve alterar o entendimento dos órgãos reguladores, já que o acidente não gerou mudanças técnicas significativas. O Escritório de Inquérito e Análise para a Segurança da Aviação Civil (BEA) concluiu que a tripulação perdeu o controle da aeronave após lidar incorretamente com sensores congelados, levando à perda de sustentação.
Os promotores, porém, apontaram falhas internas tanto da fabricante quanto da companhia aérea, como treinamento inadequado e falta de investigação sobre falhas anteriores nos sensores.
Para comprovar homicídio culposo, era necessário demonstrar a relação direta entre a negligência e o acidente. A ausência dessa comprovação levou à absolvição anterior.
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