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Governo brasileiro convoca diplomata de Israel para explicações sobre vídeo de ativistas amarrados

Itamaraty exige esclarecimentos após divulgação de imagens de brasileiros detidos em flotilha humanitária rumo à Faixa de Gaza.

Sputinik Brasil 21/05/2026
Governo brasileiro convoca diplomata de Israel para explicações sobre vídeo de ativistas amarrados
Diplomata israelense é convocada pelo Itamaraty após vídeo de brasileiros detidos na flotilha humanitária. - Foto: © AP Photo / Ohad Zwigenberg

O Ministério das Relações Exteriores convocou, nesta quinta-feira (21), a chefe da embaixada de Israel no Brasil, Rasha Athamni, para prestar esclarecimentos sobre um vídeo que mostra ativistas com as mãos amarradas e as testas apoiadas no chão.

As imagens, divulgadas pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, exibem o ministro zombando dos detidos, que aparecem de joelhos, com as mãos amarradas e as cabeças encostadas no chão, sendo forçados a ouvir o hino nacional de Israel.

Entre as vítimas estão quatro brasileiros, que participavam de uma flotilha humanitária com destino à Faixa de Gaza, episódio que gerou ampla repercussão internacional.

Rasha Athamni, encarregada de negócios em Brasília desde outubro de 2025, foi recebida pelo diretor do Departamento de Oriente Médio do Itamaraty, embaixador Clélio Crippa. O cargo de embaixador de Israel no Brasil está vago desde o fim da missão de Daniel Zonshine.

Na quarta-feira (20), o Itamaraty publicou nota oficial repudiando a divulgação das imagens:

"O governo brasileiro deplora o tratamento degradante e humilhante dispensado por autoridades israelenses, em particular pelo Ministro da Segurança Interna de Israel, Itamar Ben Gvir, aos participantes da Flotilha Global Sumud", diz o comunicado.

A flotilha foi interceptada por forças israelenses em 18 de abril, em águas internacionais, e os ativistas foram detidos.

O Itamaraty também exigiu a libertação imediata de todos os ativistas, incluindo os quatro brasileiros, além do respeito integral aos seus direitos e dignidade, em conformidade com compromissos internacionais assumidos por Israel, como a Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes.

A Flotilha Global Sumud (GSF, na sigla em inglês) informou que 428 ativistas pró-Palestina estão desaparecidos, entre eles quatro brasileiros. O grupo acusa Israel de ordenar a captura dos militantes. A Embaixada do Brasil em Tel Aviv informou que os ativistas serão levados ao porto de Ashdod e, posteriormente, ao centro de detenção de Ktzi'ot.

Segundo a Agência Brasil, as brasileiras Ariadne Teles, Beatriz Moreira e Thainara Rogério foram presas juntas no penúltimo barco que tentava chegar a Gaza com ajuda humanitária. O médico pediatra Cássio Pelegrini também está entre os detidos.

De acordo com a GSF, não há informações sobre o paradeiro dos brasileiros, pois as autoridades israelenses impediram o acesso de advogados e do atendimento consular aos ativistas.

A repercussão internacional levou o governo de Israel a tentar se distanciar das ações do ministro Ben-Gvir: o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que as atitudes do ministro não representam os valores de Israel, enquanto o chanceler Gideon Saar acusou Ben-Gvir de "causar conscientemente dano ao Estado".