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Filho do dono da Mango teve 'papel ativo e premeditado' na morte do pai, afirma juíza

Jonathan Andic, herdeiro da rede varejista, é investigado pela morte de Isak Andic após decisão judicial apontar indícios de premeditação e conflito familiar.

21/05/2026
Filho do dono da Mango teve 'papel ativo e premeditado' na morte do pai, afirma juíza

O herdeiro da rede varejista Mango, Jonathan Andic, desempenhou "um papel ativo e premeditado" na morte do pai, Isak Andic, conforme decisão judicial obtida pela agência Reuters.

Jonathan foi detido e levado a um tribunal em Martorell, na Catalunha, na terça-feira, 19. Ele pagou uma fiança de € 1 milhão (cerca de R$ 5,8 milhões) para evitar a prisão preventiva.

Isak Andic morreu em 14 de dezembro de 2024, aos 71 anos, após cair de um penhasco durante uma caminhada em uma área montanhosa próxima a Barcelona. Jonathan, o mais velho dos três filhos, era o único acompanhante do pai naquele momento.

A defesa de Jonathan não respondeu aos contatos da Reuters. Um porta-voz da família Andic preferiu não comentar o caso.

O documento judicial integra uma investigação preliminar da Justiça da Catalunha. Até agora, Jonathan não foi formalmente acusado de nenhum crime.

Em trecho do despacho divulgado, a juíza Raquel Nieto Galvan afirmou que há "evidências suficientes" para sugerir que a morte de Isak "pode não ter sido acidental" e que Jonathan "desempenhou um papel ativo e premeditado na morte do pai".

Segundo a magistrada, pai e filho mantinham uma relação conflituosa devido à "obsessão por dinheiro" de Jonathan, chegando a pedir a herança ao pai ainda em vida. Em mensagens no WhatsApp, Jonathan expressava "sentimentos de ódio, ressentimento e pensamentos sobre morte, culpando o pai por sua situação".

A juíza destacou que Jonathan buscava receber a herança enquanto o pai estivesse vivo, ou que a figura paterna deixasse de existir, seja em pensamentos ou na realidade.

Testemunhas relataram que o relacionamento dos dois se deteriorou em 2015, quando Isak deu mais responsabilidades ao filho na Mango, mas depois as retirou sem aviso, provocando uma crise profissional, pessoal e familiar em Jonathan, especialmente com o pai.

Questionado pela Reuters, Jonathan confirmou que o pai retirou parte de suas funções, mas negou qualquer ressentimento.

Outro ponto do despacho indica que, em 2024, Jonathan descobriu os planos do pai de alterar o testamento para criar uma fundação beneficente, o que teria provocado "uma mudança marcante" em seu comportamento.

Sobre o local da morte, Jonathan afirmou que só havia estado na região uma vez, duas semanas antes do acidente. Contudo, o rastreador de seu carro mostrou passagens pelo local nos dias 7, 8 e 10 de dezembro. No dia da queda de Isak, Jonathan convidou o pai para uma trilha e conversa a sós.

O despacho aponta ainda que Jonathan apresentou versões conflitantes dos fatos em duas ligações aos serviços de emergência e em depoimento à polícia.

Após quatro simulações, investigadores concluíram que a marca no local e a forma como o corpo caiu eram incompatíveis com um escorregão. Isak caiu primeiro com os pés, e não havia ferimentos nas palmas das mãos, descartando a hipótese de tropeço.

Jonathan afirmou à polícia que o pai caiu ao parar para tirar fotos, mas o celular de Isak foi encontrado no bolso, com imagens apenas do início da trilha.

Jonathan também alegou ter perdido o próprio telefone três meses após a morte do pai, durante viagem a Quito, no Equador. A juíza observou que a data coincide com o período em que surgiram notícias sobre a reabertura da investigação.