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Justiça apreende adolescente investigado por induzir meninas à automutilação no Discord

Jovem de Pontal, interior de São Paulo, é acusado de aliciar menores e divulgar conteúdos violentos e pornográficos em plataforma online.

20/05/2026
Justiça apreende adolescente investigado por induzir meninas à automutilação no Discord
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Alerta: O texto a seguir aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que enfrenta esse tipo de situação, ligue 180 e denuncie.

A Justiça de São Paulo acatou o pedido do Ministério Público do Estado (MP-SP) e determinou a apreensão de um adolescente investigado por utilizar o aplicativo Discord para induzir meninas ao suicídio e à automutilação. Entre as vítimas identificadas está uma criança de 12 anos.

Morador de Pontal, no interior paulista, o jovem também responde por atos infracionais análogos aos crimes de associação criminosa, estupro de vulnerável, posse e divulgação de pornografia infantil. A promotora Bruna Cristina de Oliveira, da Promotoria de Pontal, foi responsável pela manifestação do MP.

O Discord foi procurado pela reportagem do Estadão, mas não respondeu até o fechamento desta edição. O texto será atualizado caso a plataforma se manifeste. Como o nome do adolescente não foi divulgado, não foi possível localizar sua defesa.

De acordo com as investigações, o adolescente agia em conluio com outras pessoas pela internet. Em um dos casos, ele induziu uma menina de 12 anos a realizar cortes no próprio corpo, inclusive na língua, e a escrever a palavra "blood" (sangue, em inglês) na pele.

"Em determinada ocasião, o apreendido praticou ato libidinoso com a mesma menina por meio de videochamada. Ele armazenou vídeos contendo cenas pornográficas e de violência sexual contra a vítima", informou o Ministério Público.

Outra adolescente, de 13 anos à época dos fatos, também foi vítima do investigado. Segundo a promotoria, o jovem publicou um vídeo de 14 segundos no qual a adolescente aparecia em contexto pornográfico e divulgou seus dados pessoais na internet.

O Ministério Público afirma ainda que, para convencer as meninas a praticarem automutilação, o adolescente oferecia pagamentos entre R$ 100 e R$ 500. Em um fórum do Discord com 155 participantes, ele chegou a publicar imagens das vítimas se lesionando.

As investigações também apontam que o rapaz discutiu, em grupo na mesma plataforma, a possibilidade de realizar um massacre escolar.

Para a promotora Bruna Cristina de Oliveira, a estrutura organizacional revela uma rede voltada ao aliciamento, exploração e abuso de menores por meio de plataformas digitais, com o adolescente investigado exercendo papel central de liderança e organização.