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Justiça dos EUA abre ação penal contra Raúl Castro por homicídio e amplia pressão sobre Cuba
Indiciamento do ex-líder cubano está ligado ao ataque a aviões de grupo humanitário em 1996; governo de Havana reage e denuncia motivação política.
A Justiça dos Estados Unidos abriu, nesta quarta-feira (20), uma ação penal por homicídio contra o ex-ditador cubano Raúl Castro. O processo está relacionado ao ataque a dois aviões nos anos 1990 e foi anunciado pelo Departamento de Justiça durante coletiva de imprensa na Flórida.
A iniciativa amplia a pressão do governo Trump sobre Havana, em um contexto de temor de operações para derrubar o regime cubano, atualmente liderado por Miguel Díaz-Canel.
Pouco após o anúncio do indiciamento, Díaz-Canel classificou a medida como uma ação política sem qualquer base jurídica.
Segundo informações repassadas por um funcionário do Departamento de Justiça à agência Reuters, as acusações referem-se ao episódio ocorrido em 1996, quando Raúl Castro era ministro da Defesa. Na ocasião, duas aeronaves do grupo humanitário Brothers to the Rescue – formado por pilotos cubanos exilados em Miami – foram abatidas pela Força Aérea de Cuba. O incidente resultou na morte de quatro pessoas e agravou as tensões diplomáticas entre Havana e Washington.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que "os EUA não vão tolerar um Estado pária abrigando operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 90 milhas do território americano". Já o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, declarou que Cuba não representa ameaça a Washington.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, divulgou um vídeo em espanhol direcionado à comunidade cubana, no qual afirmou: "O verdadeiro motivo pelo qual vocês não têm eletricidade, combustível ou comida é porque aqueles que controlam seu país roubaram bilhões de dólares, mas nada foi usado para ajudar o povo".
Rubio destacou ainda que Trump estaria propondo uma "nova relação" entre Washington e Havana, além de oferecer US$ 100 milhões em alimentos e medicamentos, com a condição de distribuição direta ao povo cubano pela Igreja Católica ou instituições de caridade confiáveis.
Segundo Rubio, o objetivo é proporcionar aos cubanos "uma nova Cuba, na qual vocês tenham a verdadeira oportunidade de escolher quem governa o país e votar para substituí-los caso não estejam fazendo um bom trabalho".
Resposta cubana
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, classificou Rubio como "porta-voz de interesses corruptos e revanchistas", acusando-o de repetir "um roteiro mentiroso e tentar culpar o governo de Cuba pelo dano impiedoso que provoca o governo dos EUA ao povo cubano".
Rodríguez também criticou a oferta de ajuda: "Continua falando de uma ajuda de US$ 100 milhões que Cuba não rejeitou, mas cujo cinismo é evidente para qualquer um diante do efeito devastador do bloqueio econômico e do cerco energético", escreveu em publicação na rede X.
No final de março, Trump chegou a declarar que "Cuba é a próxima", durante discurso em que exaltou ações militares dos EUA na Venezuela e no Irã. No entanto, não detalhou quais medidas poderiam ser adotadas contra Havana.
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