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'Pode apagar tudo': como o Estado proibiu professora indígena de ensinar em guarani

Mesmo após cinco décadas, obstáculos ao ensino de línguas indígenas persistem nas escolas brasileiras.

Sputinik Brasil 20/05/2026
'Pode apagar tudo': como o Estado proibiu professora indígena de ensinar em guarani
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Em 1972, Edna Silva de Souza, então com 16 anos, tentava ensinar crianças guarani em sua própria língua na aldeia de Caarapó (MS). Durante a ditadura militar, ela foi proibida de ensinar em guarani e ameaçada de exílio caso insistisse. Cinquenta anos depois, Edna relata que o problema persiste, ainda que sob novas formas.

Professores formados na Faculdade Intercultural Indígena (Faind) enfrentam dificuldades para implementar o ensino bilíngue nas aldeias. A estrutura educacional vigente, segundo Edna, impede a difusão das línguas originárias e ameaça a preservação cultural desses povos. "O sistema de ensino do município, do estado, do governo como um todo é muito forte", afirma.

Para ela, a disposição das crianças enfileiradas em sala de aula é uma herança da ditadura. "Existe resquício do domínio ditatorial, isso veda a troca de conhecimento. Só que, na maneira de o professor não indígena ver, eles olham como indisciplina."