Geral
STF dá 48 horas para Câmara explicar viagem internacional de Mário Frias
Ministro Flávio Dino pede esclarecimentos sobre missão oficial do deputado ao Bahrein e pagamentos envolvidos
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu um prazo de 48 horas para que a Câmara dos Deputados esclareça os detalhes da viagem internacional realizada pelo deputado Mário Frias ao Bahrein. O ofício, encaminhado ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), solicita informações sobre a duração da missão oficial e os pagamentos relacionados à viagem.
De acordo com Mário Frias, a visita foi organizada pela embaixada do Bahrein, com o objetivo de fortalecer as relações bilaterais com o Brasil. O parlamentar permanece fora do país, enquanto um oficial de Justiça tenta notificá-lo há mais de um mês, em razão de uma ação que questiona repasses de emendas parlamentares a ONGs ligadas à produção do filme "Dark Horse", cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O longa foi financiado, em grande parte, pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Em áudio revelado pelo The Intercept Brasil, o deputado Mário Frias (PL-SP) agradece a Vorcaro pelo apoio financeiro ao filme "Dark Horse". Segundo a reportagem, a mensagem foi enviada em 11 de dezembro de 2024.
A revelação contradiz a versão anterior de Frias, que afirmava que Vorcaro "não tinha dado um centavo" para a produção do filme.
Outras mensagens trocadas entre os dois também vieram à tona, datadas de 15 e 22 de dezembro de 2024. Em uma delas, o deputado envia uma captura de tela com conversas entre ele e o diretor Cyrus Nowrasteh.
Nowrasteh afirmou que conversaria com o ator Jim Caviezel, intérprete de Jair Bolsonaro, sobre o projeto, mas queria saber se poderia ler o roteiro e se a produção pagaria um bom cachê. Frias respondeu que Caviezel seria "imortalizado por esse papel".
Segundo o contrato de produção do filme, Mário Frias está cotado como produtor-executivo ao lado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL). O parlamentar já havia recuado, alegando que houve um mal-entendido e que existia "uma diferença de interpretação sobre a origem formal" do investimento. Ele afirmou ainda que sua declaração anterior informava que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora.
Na semana passada, o Intercept publicou um áudio de WhatsApp em que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra dinheiro de Vorcaro para finalizar o filme, em 8 de setembro de 2025, um dia antes de o banqueiro ser preso pela Polícia Federal (PF) por fraude financeira, que causou prejuízos de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
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