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Maioria dos moradores do Alemão, Maré e Rocinha é contra operações policiais, aponta pesquisa
Levantamento revela que 73% dos moradores das principais favelas do Rio desaprovam ações policiais e denunciam excessos.
A maioria dos moradores do Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Maré e Rocinha se posiciona contra as operações policiais em suas comunidades. A percepção predominante é negativa, com relatos de excessos e ilegalidades cometidos durante as incursões.
Segundo a pesquisa "Por que moradores de favelas aprovam ou reprovam operações policiais com confronto armado?", 73% dos moradores discordam das operações, enquanto 91% afirmam que há abusos por parte da polícia. Entre os que apoiam as ações, 85% também reconhecem excessos.
O estudo foi realizado por seis organizações, com apoio da Cátedra Patrícia Acioli da UFRJ, Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), Fundação Tide Setúbal, Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni/UFF), Instituto Fogo Cruzado, Laboratório de Análise da Violência (UERJ) e Open Society Foundations.
A rejeição ao atual modelo de operações é expressiva: 92% desaprovam a forma como são conduzidas e 95% consideram que não aumentam a segurança das famílias.
Entre 13 e 31 de janeiro, foram ouvidos 4 mil moradores dos quatro maiores conjuntos de favelas do Rio, que juntos reúnem 21% da população dessas áreas na cidade.
“A proposta do estudo é buscar entender o que está por trás das percepções dos moradores do Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Maré e Rocinha sobre as operações policiais, as motivações e influências de suas opiniões, as críticas, os desejos de mudança, os sentimentos e as sensações despertadas pela atuação das forças policiais onde vivem. Ao dar voz a quem é diretamente impactado, acessamos dimensões fundamentais da vida cotidiana do morador de favela em dias de operação policial”, afirma Eliana Sousa Silva, diretora fundadora da Redes da Maré, que coordenou o estudo.
De acordo com Eliana, o resultado mostra “um quadro de esgotamento da população por conta das operações violentas, o reconhecimento dos excessos policiais e uma evidente falta de legitimidade dessa política de segurança, que se tornou a única forma de atuação das polícias nesses territórios”.
Três em cada quatro moradores são contra
Três em cada quatro moradores se declaram contrários às operações policiais. Apenas 25% manifestam algum grau de concordância. A discordância total soma 56%, superando toda a concordância (25%).
A pesquisa foi conduzida por Fala Roça (Rocinha), Frente Penha, Instituto Papo Reto (Alemão), Instituto Raízes em Movimento (Alemão), Redes da Maré e A Rocinha Resiste, organizações com atuação nas favelas pesquisadas.
“Queremos uma nova política de segurança pública que preserve a vida dos moradores de favelas, sem que a presença de grupos armados justifique uma única forma de atuação policial, com confrontos de alto risco e letalidade para a população. É direito dos moradores desses territórios vivenciar uma política de segurança que os respeite”, defende Osvaldo Lopes, do Fala Roça.
Moradores reprovam operações como a que deixou 122 mortos
O levantamento mostra ainda que, quando questionados sobre a necessidade de repetir operações como a que resultou em 122 mortos no Complexo do Alemão e da Penha, 85% dos moradores disseram que não, 7% responderam “às vezes” e 7% disseram que sim.
O resultado destoa da opinião pública geral: pesquisa do instituto Genial/Quaest revelou que 64% dos moradores do Rio aprovaram a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, enquanto 27% desaprovaram.
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