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Reino Unido pode enfrentar custos bilionários para retornar à União Europeia
Reingresso do país ao bloco exigiria novas condições, incluindo maiores contribuições financeiras e renúncia a isenções históricas.
O debate sobre um possível retorno do Reino Unido à União Europeia (UE) ganhou força após declarações recentes de líderes europeus e representantes do Partido Trabalhista britânico, que destacaram a necessidade de estreitar os laços com Bruxelas.
De acordo com a imprensa britânica, Bruxelas imporia condições significativamente mais rigorosas a Londres do que as vigentes antes do Brexit. Entre elas, estão exigências de maiores contribuições financeiras e o fim de diversas isenções históricas negociadas por governos britânicos anteriores.
O diplomata Julian King alertou que o Reino Unido teria de abrir mão do desconto orçamentário conquistado por Margaret Thatcher na década de 1980.
Isso implicaria que Londres pagaria pelo menos € 5,75 bilhões (aproximadamente R$ 33,6 bilhões) a mais por ano do que contribuía antes de deixar o bloco europeu.
"A porta está aberta, mas não devemos esperar quaisquer acordos especiais", afirmou King, referindo-se a uma eventual readmissão do Reino Unido.
Um dos principais entraves, segundo apuração, seria a livre circulação de pessoas, considerada condição indispensável para o acesso ao mercado único europeu.
Além disso, o Reino Unido perderia várias cláusulas de exclusão previamente negociadas, incluindo aquelas relacionadas ao Espaço Schengen, políticas migratórias e aspectos orçamentários.
O ex-vice-primeiro-ministro David Lidington avaliou que dificilmente a UE concordaria em restabelecer as condições especiais que Londres possuía antes do Brexit.
"Considero o Brexit um ato de autodestruição nacional, mas não vejo a UE aceitando condições de readmissão que um governo britânico pudesse aprovar facilmente", argumentou.
Segundo fontes, a Comissão Europeia também evitaria qualquer tratamento preferencial para o Reino Unido, com o objetivo de não incentivar reivindicações semelhantes de outros países candidatos, como Ucrânia, Moldávia ou Montenegro.
A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, afirmou recentemente que "a porta da UE está aberta" para o Reino Unido, ao mesmo tempo em que defendeu o fortalecimento das relações entre as partes.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, não descartou completamente um futuro debate sobre a readmissão à UE, apesar das divisões internas no Partido Trabalhista.
Essas discussões integram a "redefinição" das relações entre Londres e Bruxelas, promovida por Starmer após anos de tensões pós-Brexit.
O governo irlandês manifestou apoio público à possível volta do Reino Unido ao bloco, alegando que a UE perdeu influência política e econômica desde a saída britânica.
Especialistas europeus alertam, contudo, que qualquer tentativa de retorno exigirá anos de negociações complexas, amplo consenso político e, provavelmente, um novo referendo nacional no Reino Unido.
Por Sputnik Brasil
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