Geral
Presidente do Banco Central aponta desafios estruturais para conter inflação no Brasil
Gabriel Galípolo afirma no Senado que país precisa de juros mais altos que outras nações para controlar preços e cita endividamento das famílias.
Gabriel Galípolo destacou fatores estruturais da economia brasileira durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19) que o Brasil enfrenta obstáculos estruturais para controlar a inflação, mesmo com taxas de juros elevadas. Durante participação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Galípolo reconheceu que a autoridade monetária não conseguiu cumprir a meta de inflação na maioria dos últimos anos.
"Em seis anos, em quatro deles o Banco Central não cumpriu a meta da inflação", afirmou. Segundo Galípolo, a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,5% ao ano, poderia ter sido ainda mais elevada para tentar atingir o objetivo inflacionário.
"Talvez o Banco Central tenha sido um pouco conservador e deveria ter estabelecido a taxa de juros em um patamar ainda mais alto para cumprir a meta", acrescentou. Ele explicou que o Brasil possui características próprias que tornam a política monetária menos eficiente em comparação a outros países.
"Quanto mais eu subo juros, mais renda o detentor da LFT tem", disse. "Hoje temos 50% da dívida soberana atrelada à Selic", completou.
Endividamento
Galípolo também abordou os impactos econômicos da pandemia de Covid-19 sobre o endividamento das famílias. Segundo ele, a forte retração da atividade econômica em 2020 levou muitos consumidores a recorrerem ao crédito para manter o consumo.
"Faz sentido imaginar que a pessoa que perdeu renda em razão da queda da atividade econômica vai buscar sustentar seu consumo com algum tipo de financiamento", explicou. Ele também destacou o aumento do uso do cartão de crédito e o impacto da bancarização ampliada pelo Pix.
"A relação das pessoas com cartão de crédito subiu de dois ou três para cinco, algo acentuado no Brasil pelo processo de bancarização", observou. "O Pix incluiu uma série de pessoas que estavam à margem do sistema financeiro e que não tinham nem conta bancária. Essas pessoas passaram a ter acesso a cartão de crédito e outras fontes de financiamento", concluiu.
Banco Master
Durante a sessão, Galípolo comentou ainda o caso do Banco Master, minimizando os riscos relacionados às supostas fraudes envolvendo a instituição, que foi liquidada pelo Banco Central. "É um banco S3, da terceira divisão do futebol do sistema financeiro, não oferece risco sistêmico", afirmou.
"O que chamava atenção era o que se fazia com o dinheiro", acrescentou. Ao final de sua participação, Galípolo reforçou que não permitirá que o Banco Central seja utilizado como "palanque" político.
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