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Vorcaro é transferido para cela comum e tem visitas restritas por decisão do STF
Ministro André Mendonça determina aplicação de regras ordinárias ao banqueiro, que negocia delação envolvendo políticos.
Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, nesta segunda-feira (18).
O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, autorizou que o banqueiro seja submetido às "regras de funcionamento ordinárias" da Superintendência da PF.
Vorcaro foi preso em 19 de março, acusado de fraude financeira que teria causado prejuízo superior a R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Até então, ele ocupava uma sala especial, a mesma onde o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou detido por alguns meses.
As visitas dos advogados de Vorcaro também foram restringidas a duas vezes ao dia, com duração máxima de 30 minutos cada e sem a utilização de instrumentos de trabalho. Antes, o banqueiro podia receber advogados das 9h às 17h, sem limitações, conforme informou o site Metrópoles.
Essas mudanças ocorrem em meio a novas descobertas da Polícia Federal que colocam em dúvida as negociações de delação premiada de Vorcaro, que envolvem figuras políticas como os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Ciro Nogueira (PP-PI).
Na semana passada, o site Intercept Brasil revelou que Vorcaro teria financiado, com cerca de R$ 61 milhões, o filme biográfico "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a reportagem, há um áudio de WhatsApp no qual o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicita recursos a Vorcaro para concluir o filme, em 8 de setembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro.
O Intercept também aponta que Flávio Bolsonaro negociava um novo repasse de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões à época). O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário da Cultura, também seriam intermediários.
Em março, veio à tona que o cunhado de Vorcaro, pastor Fabiano Zettel, doou R$ 3 milhões à campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL).
Outras mensagens divulgadas recentemente indicam que Vorcaro pagava uma mesada ao senador e presidente do Progressistas (PP), Ciro Nogueira (PI).
De acordo com a Polícia Federal, Ciro Nogueira seria o principal destinatário das vantagens indevidas oferecidas por Vorcaro. A investigação aponta que o senador teria atuado para favorecer interesses do banqueiro.
As apurações identificaram pagamentos mensais, compra de participação societária com descontos elevados, quitação de despesas pessoais e uso de bens de alto valor, além de indícios de repasses em dinheiro vivo, o que reforça as suspeitas de vantagens indevidas contínuas.
Um dos principais episódios relatados foi a emenda apresentada por Ciro Nogueira à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Autonomia Financeira do Banco Central, que aumentava o limite de cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo a PF, o texto da emenda teria sido elaborado pela assessoria do Banco Master e entregue ao senador em um envelope.
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