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Simpatizantes de Morales entram em confronto com a polícia em escalada das tensões na Bolívia

Protestos liderados por apoiadores do ex-presidente Evo Morales intensificam crise política e econômica, pressionando o governo de Rodrigo Paz.

18/05/2026
Simpatizantes de Morales entram em confronto com a polícia em escalada das tensões na Bolívia
Evo Morales - Foto: Reprodução / Instagram

Apoiadores do ex-presidente boliviano Evo Morales enfrentaram a polícia nesta segunda-feira, 18, em La Paz, exigindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz. O movimento amplia uma onda de protestos que já paralisou o país, marcada por bloqueios de estradas, desabastecimento de alimentos e combustível, e representa a pior crise econômica em quatro décadas na Bolívia.

Milhares de manifestantes se reuniram em frente à sede do governo, em meio ao clima de tensão e cidades isoladas pelos bloqueios. As forças de segurança agiram para conter a multidão, utilizando bombas de gás lacrimogêneo para impedir o avanço em direção ao Congresso e ao palácio presidencial. As explosões forçaram a evacuação de funcionários e parlamentares. Gritando palavras de ordem como "Pátria ou morte, nós venceremos!", os manifestantes destruíram portas de lojas e incendiaram móveis saqueados, erguidos como barricadas.

“Eles podem marchar se for pacificamente, mas tomaremos medidas se cometerem crimes”, afirmou o vice-ministro do Interior, Hernán Paredes.

A vitória surpreendente de Rodrigo Paz há seis meses refletiu o descontentamento popular com duas décadas de domínio do Movimento para o Socialismo (MAS), partido de Morales. No entanto, sua eleição também revelou a resistência da população a medidas de austeridade mais severas.

Primeiro líder conservador eleito desde 2006, Paz buscou equilibrar o ajuste fiscal, eliminando subsídios aos combustíveis — base do modelo econômico do MAS —, mas manteve programas sociais e criou novos benefícios para trabalhadores informais, tentando suavizar o impacto da inflação.

As medidas, porém, não satisfizeram parte da população. Os protestos começaram com reivindicações salariais do sindicato nacional, ganharam força com agricultores insatisfeitos com a qualidade do combustível e, agora, contam com a adesão dos apoiadores de Morales, que exigem a saída de Paz.

“Pequenos problemas vêm se acumulando — a questão salarial, a crise econômica, a gasolina contaminada, a escassez de diesel”, analisa Verônica Rocha, cientista política. “Uma grande parcela da população se sente politicamente abandonada e não confia mais em ninguém. Por isso, tudo pode acontecer.”

Rodrigo Paz acusa Morales de articular os distúrbios para desestabilizar seu governo. Os bloqueios de estradas, tradicionais nas mobilizações sociais ligadas a Morales, têm provocado graves prejuízos: cerca de 5.000 caminhões estão parados, supermercados enfrentam prateleiras vazias e hospitais sofrem com a falta de suprimentos médicos. Segundo associações empresariais, as perdas diárias superam 50 milhões de dólares.

Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Tribuna do Sertão