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Datafolha aponta pior avaliação do STF em meio a crise interna e caso Master
Desgaste por denúncias e divisão entre ministros mantém rejeição ao Supremo em 40%, segundo pesquisa.
O Supremo Tribunal Federal (STF) segue enfrentando sua pior avaliação histórica, com 40% dos brasileiros classificando o trabalho dos ministros como ruim ou péssimo, segundo pesquisa Datafolha.
O levantamento, divulgado nesta semana, mostra que a rejeição ao STF permanece em patamar recorde, repetindo os índices de dezembro de 2019 e dezembro de 2023. Outros 34% dos entrevistados consideram o desempenho regular e 22% avaliam como ótimo ou bom, números estáveis em relação à pesquisa anterior, realizada em março.
O cenário de desgaste é agravado por uma crise interna no tribunal e pelo impacto do caso Master, que envolveu diretamente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Toffoli deixou a relatoria do inquérito após a Polícia Federal identificar negócios entre fundos ligados ao banco e uma empresa de sua família. Já Moraes foi alvo de críticas após a divulgação de mensagens com Daniel Vorcaro — preso na operação Compliance Zero — e por um contrato milionário do escritório de sua esposa com o banco.
O momento atual remete a outros períodos de forte rejeição, como em 2019, após decisões contrárias à Lava Jato, e em 2023, durante o acirramento entre bolsonaristas e ministros. No entanto, desta vez, a divisão interna é explícita: de um lado, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin; de outro, Edson Fachin e Cármen Lúcia.
Esse grupo pressiona Fachin, atual presidente do STF, por uma defesa mais firme dos colegas e por pautas de impacto, como restrições aos chamados penduricalhos salariais. Fachin, por sua vez, defende a criação de um código de conduta para enfrentar a crise de imagem da corte.
A relação do STF com o governo Lula é vista como majoritariamente positiva, o que se reflete na opinião dos eleitores do presidente: entre quem aprova a gestão petista, 50% consideram o trabalho dos ministros ótimo ou bom. Já entre os que reprovam o governo, 71% avaliam o Supremo negativamente.
O recorte eleitoral reforça a polarização: entre eleitores de Lula, 40% avaliam o STF positivamente e 16% negativamente. Entre os que pretendem votar em Flávio Bolsonaro, 64% classificam o desempenho da corte como ruim ou péssimo. O bolsonarismo, inclusive, tem apostado no discurso de eleger senadores para tentar viabilizar o impeachment de ministros.
A rejeição ao STF também varia por gênero, escolaridade e renda. Entre os homens, 45% avaliam o tribunal negativamente, contra 36% das mulheres. A reprovação cresce conforme o nível de escolaridade — de 34% no ensino fundamental para 48% no superior — e dispara entre os mais ricos, chegando a 63% entre quem ganha mais de dez salários mínimos.
Com informações da Sputinik Brasil
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