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Setor de academias no Brasil vive superoferta, aponta presidente da Smart Fit

Edgard Corona avalia que expansão acelerada trouxe excesso de empresas e desafia operadores menos estruturados

18/05/2026
Setor de academias no Brasil vive superoferta, aponta presidente da Smart Fit
Smart Fit

O mercado acadêmico brasileiro enfrenta atualmente um cenário de “superoferta” , segundo Edgard Gomes Corona, fundador da Smart Fit e presidente do conselho de administração da empresa. Após anos de forte crescimento, impulsionado pelo aumento dos praticantes de atividades físicas, expansão dos agregadores e chegada de novos operadores, o setor agora lida com excesso de oferta.

De acordo com Corona, o rápido avanço do segmento estimulou a entrada de empresas extremamente individualizadas. “Tem muita gente que entrou no setor extremamente alavancado”, afirma. Para ele, operadores com estruturas financeiras menos sólidas podem enfrentar dificuldades em um ambiente cada vez mais competitivo.

A expansão do mercado também foi favorecida pela abertura de academias em regiões antes pouco atendidas e pelo maior acesso fornecido por agregadores — plataformas que conectam usuários a diversas redes de estúdios e academias, oferecendo ingressos mais acessíveis.

Ao comentar o mercado de agregadores, Corona destaca que a entrada do TotalPass contribuiu para evitar a exclusão do "tíquete de agregador". Segundo ele, a concorrência entre plataformas permitiu que as academias parceiras recebessem melhores salários.

O executivo ressalta que a Smart Fit continua pagando mais às academias parceiras do que os concorrentes, reforçadas em uma estrutura operacional eficiente e de menor custo.

Apesar do ambiente competitivo, a Corona acredita que o impacto para o Smart Fit tende a ser neutro, devido à diversificação geográfica da rede e ao avanço da vertical de agregadores. Segundo ele, uma piora nas condições do mercado pode inclusive favorecer o TotalPass.

Ritmo forte

O BTG Pactual avaliou como sólido o desempenho do Smart Fit no primeiro trimestre, destacando crescimento de receita, expansão de rentabilidade e avanço do TotalPass. Os resultados operacionais superaram ligeiramente as estimativas, mesmo com os investimentos no TotalPass e a abertura acelerada de novas unidades.

A receita líquida da rede cresceu 25% em relação ao ano anterior, atingindo R$ 2,1 bilhões, impulsionada pelo aumento da base de clientes, expansão da rede e elevação do tíquete médio. A Smart Fit encerrou o trimestre com 5,6 milhões de clientes nas academias próprias (excluindo o TotalPass), alta de 6% em um ano. O número de assinantes digitais subiu 13%. Fora do Brasil e México, o BTG destacou o “momento robusto” das operações na América Latina.

O analista Luiz Guanais, do BTG, ressalta também a evolução do ecossistema do TotalPass, que terminou o trimestre com 2,1 milhões de clientes no Brasil e México, e uma rede parceira que ultrapassou 34 mil academias no país.

Segundo Guanais, o TotalPass vem se consolidando como uma “alavanca estratégica” para a companhia, apesar das dúvidas, no curto prazo, sobre margens e tíquete médio devido à maior penetração da plataforma.

Corona afirma que o TotalPass já representa 15% do lucro bruto consolidado da Smart Fit e 9% da receita líquida. Ele destaca que a vertical de agregadores ganha relevância e se consolida como uma das principais avenidas de crescimento do grupo.

A plataforma superou a marca de 2,1 milhões de clientes B2B ao final do trimestre, com crescimento de 25% em relação ao quarto trimestre de 2025. “Seguimos investindo na construção de marca, expansão B2B, aumento da capilaridade e diversidade da rede, além de novos contratos corporativos”, afirma.

No Brasil, o aplicativo atingiu 34% de participação de mercado entre usuários ativos mensalmente, avanço de dez pontos percentuais em um ano, e encerrou o trimestre com 56% de participação nos downloads do segmento, liderando pelo terceiro mês consecutivo.

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.