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Não existe plano B para deixar o planeta, diz engenheiro da Nasa sobre preservação ambiental
Ivair Gontijo, mineiro que integra o Jet Propulsion Lab, alerta sobre a urgência de cuidar da Terra e compartilha bastidores das missões a Marte durante o São Paulo Innovation Week.
“Muita gente me pergunta: 'Como um mineirinho foi parar na Nasa?'”, compartilhou o engenheiro Ivair Gontijo no início de sua palestra “Do Sonho ao Espaço”, realizada no Side Events do São Paulo Innovation Week (SPIW), festival de inovação e empreendedorismo promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no CEU Heliópolis, neste sábado, 16.
Em parceria com a Prefeitura de São Paulo, os encontros do SPIW também acontecem nos CEUs, equipamentos públicos que promovem acesso à cultura, educação e convivência comunitária. A programação ocorre neste fim de semana, dias 16 e 17, em quatro unidades.
O engenheiro, de fala mansa, trabalha em um dos principais laboratórios da agência espacial americana. Natural do interior de Minas Gerais, onde trabalhou em fazendas até os 18 anos, Ivair mudou-se para Belo Horizonte para cursar física na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e, de lá, ganhou o mundo.
Atualmente, integra o Jet Propulsion Lab (JPL), principal laboratório da Nasa para missões espaciais robóticas. Durante a palestra, explicou detalhes de seu trabalho, que inclui a construção dos rovers Perseverance e Curiosity, e a evolução das missões a Marte, cujo objetivo é coletar amostras de rocha e solo e, futuramente, trazê-las para análise na Terra.
Gontijo exibiu vídeos sobre os processos de construção dos rovers, detalhou o pouso em Marte e como ocorre a coleta de material. Após a parte técnica, o engenheiro compartilhou uma dica recorrente em suas palestras para estudantes: “Não faça planos pequenos e não tenha sonhos pequenos.”
Sua trajetória despertou a curiosidade do público, que questionou sobre a duração das missões e como as amostras serão trazidas à Terra. Segundo Ivair, a expectativa é usar as técnicas atuais para tentar descobrir se o material orgânico marciano já integrou formas de vida no passado.
“Pode ser que toda a vida na Terra tenha vindo de Marte, pode ser que um meteoro grande colidiu com o planeta, caiu aqui na Terra e aqui prosperou”, especulou. “E pode ser também que tenhamos vindo de outro planeta. Tem muitas coisas a serem descobertas.”
Além da parte técnica, Ivair faz um alerta sobre as expectativas em relação à exploração espacial. Mesmo com os avanços da ciência, ele reforça que não se deve enxergar outros planetas como refúgio. “Morar em Marte, por enquanto, só em histórias de ficção científica.”
“Não existe plano B para sair desse planeta e sobreviver em Marte”, adverte, defendendo a conservação ambiental.
“É milhões de vezes mais barato e mais fácil resolver os problemas daqui. Para ir a Marte, precisamos solucionar desafios gigantescos: como produzir oxigênio, comida? E os problemas de saúde, tecnológicos? Não temos solução”, alerta.
Ainda assim, acredita que a ida do homem a Marte é possível e não está tão distante. “Uma missão tripulada para Marte vai demorar muito tempo, mas acredito que vai acontecer e que ainda verei em minha vida.”
Questionado sobre os motivos filosóficos de explorar o espaço, Ivair acredita que a resposta é simples: “Não sei onde essas pesquisas vão dar, mas o ser humano é um bicho curioso. De onde viemos? Temos perguntas profundas sobre a vida, e somos a primeira geração a ter tecnologia para responder esse tipo de coisa.”
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