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Brasil deve ficar atento ao potencial da Antártida, alerta especialista da USP durante o SPIW
Alberto Pfeifer destaca, em evento de inovação, que o continente gelado é a próxima fronteira estratégica para o país.
A Antártida desponta como a próxima fronteira nas relações internacionais, e países que desejam ampliar sua influência global precisam adotar uma geopolítica voltada para além de seus territórios tradicionais. O tema foi debatido na mesa Fronteiras geopolíticas na nova era: Ártico e a Lua, conduzida por Alberto Pfeifer, coordenador do Grupo de Análise de Estratégia Internacional em Defesa, Segurança e Inteligência (DSI) da USP, nesta sexta-feira (15), durante o São Paulo Innovation Week (SPIW).
Apesar de recentes discussões sobre disputas territoriais no Ártico, como a tentativa dos EUA de expandir influência na Groenlândia, Pfeifer destacou que a Antártida representa a grande "descoberta" da geopolítica contemporânea. O continente, segundo ele, oferece oportunidades que vão além da ocupação territorial, abrangendo recursos naturais e o acesso a uma área ainda sem definição clara de poder.
"O Polo Norte é oceano, é calota de gelo. O Polo Sul Antártico é um continente terrestre, com mais potencial de exploração de qualquer tipo de recurso ali disponível", explicou Pfeifer. Ele lembrou o Tratado da Antártida, que permite, até 2049, que países com bases no continente realizem pesquisas científicas, desde que respeitem a conservação ambiental.
"A partir de 2049, o tratado internacional será revisto. Para a China, 2049 é amanhã. Tudo terá que ser renegociado, readaptado e, certamente, haverá disputas e pleitos quanto ao uso ou acesso desses meios", alertou.
Pfeifer ressaltou que o Brasil deve se preparar para esse cenário. A localização estratégica do país, sendo o mais próximo da Antártida, oferece condições para traçar um plano real de exploração quando as regras permitirem.
"Se não olharmos para nossos espaços próximos e o controle desses territórios, ficaremos vulneráveis na capacidade de fornecer recursos. A Antártida é a nova fronteira para o desenvolvimento econômico e tecnológico", afirmou.
Por isso, o Brasil precisa estar atento às oportunidades e às formas de negociação internacional. Mas, segundo Pfeifer, o primeiro passo é reconhecer a importância estratégica do tema para os próximos anos.
"Talvez agora, pensar no Atlântico Sul e na projeção Antártida seja equivalente ao que foi a exploração do Centro-Oeste e da Amazônia há algumas décadas. O Brasil precisa prestar atenção", concluiu.
Sobre o São Paulo Innovation Week
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até esta sexta-feira (15). O evento reúne mais de 2 mil palestrantes nacionais e internacionais em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia.
No fim de semana, o festival promove eventos paralelos gratuitos em quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) de São Paulo, em parceria com a Prefeitura: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar). Não é necessário inscrição prévia; o acesso é por ordem de chegada, sujeito à lotação. A programação inclui debates e experiências imersivas com nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo.
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