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Brasil precisa definir seu objetivo se quiser ganhar com a economia global de IA

Especialistas apontam que país deve traçar estratégia clara para aproveitar oportunidades na disputa tecnológica entre EUA e China

15/05/2026
Brasil precisa definir seu objetivo se quiser ganhar com a economia global de IA
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

O Brasil precisa estabelecer objetivos estratégicos claros como nação para se beneficiar da nova economia impulsionada pela inteligência artificial (IA). O potencial existe para que o país ocupe uma posição de destaque no cenário global, segundo Alexandre Ramos Coelho, o professor de Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), e a colunista do UOL, Aline Sordili. A análise foi feita durante o painel A corrida do século: a disputa tecnológica entre EUA e China , realizado nesta sexta-feira (15), durante o São Paulo Innovation Week (SPIW).

Os painéis destacaram que o Brasil mantém relações relevantes tanto com os Estados Unidos quanto com a China, países que lideram o desenvolvimento da IA. Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial brasileiro, enquanto os EUA responderam por diversos investimentos no país. Por isso, o Brasil evita tomar partido na disputa.

Ainda assim, o país se depara com grandes oportunidades de desenvolvimento econômico em meio à rivalidade tecnológica entre as duas potências globais. No entanto, falta um direcionamento claro sobre o que o Brasil deseja conquistar neste cenário.

"O mais importante aqui é o país saber qual rumo tomará nesse contexto geopolítico. Precisamos definir nossos objetivos. Se não tivermos objetivos muito claros, não conseguiremos captar nada de bom de nenhum dos lados nessa onda", afirma o professor Alexandre Coelho.

Não que diz respeito às terras raras , por exemplo, apenas a China possui capacidade para refinar os minerais críticos à infraestrutura tecnológica de IA, como chips e data centers. Embora o país asiático seja 85% das terras raras globais, ele não domina as reservas mundiais. "A China controla o gargalo, não as reservas. Brasil, Austrália e Vietnã têm reservas, mas dependem do refino industrial chinês", explica Coelho.

Encontro entre Trump e Xi Jinping destaca disputa por fichas

Aline Sordili e Alexandre Coelho também comentaram o encontro recente entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping. O destaque ficou para a pauta de Taiwan, trazida por Xi. O território simboliza a disputa tecnológica e a interdependência no mercado de chips. A NVIDIA depende da TSMC, empresa taiwanesa, para manter sua liderança em chips de IA, já que a TSMC fabrica os componentes de maior valor agregado, enquanto a norte-americana projeta os itens.

“O que Xi quer é que os EUA simplesmente digam: ‘Taiwan é problema seu, China’. Mas os EUA não podem fazer isso porque Taiwan é fundamental para o fornecimento de chips ao mercado norte-americano”, esclarece Coelho. "Precisamos acompanhar essa questão com atenção, pois envolve tecnologia, soberania e terras raras, temas de interesse para o Brasil", completa.

Semana de Inovação de São Paulo reúne especialistas de diversas áreas

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na FAAP, até esta sexta-feira (15). O evento reúne mais de 2 mil palestrantes brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia.

No fim de semana, o festival promove eventos paralelos gratuitos em quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) da cidade, em parceria com a Prefeitura de São Paulo: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar). Não é necessária inscrição prévia; o acesso será por ordem de chegada e sujeito à lotação dos espaços. A programação reúne nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo em debates e experiências imersivas.