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Analista destaca mudança retórica dos EUA sobre laboratórios biológicos, mas descarta admissão de culpa

Adriel Kasonta aponta que revisão dos EUA reconhece riscos operacionais, sem validar acusações de armas biológicas.

15/05/2026
Analista destaca mudança retórica dos EUA sobre laboratórios biológicos, mas descarta admissão de culpa
Mudança de postura dos EUA reacende debate sobre laboratórios biológicos e riscos operacionais. - Foto: © Foto / Flickr / Departamento de Agricultura dos EUA / Lance Cheung

A recente mudança de postura do gabinete da diretora de Inteligência Nacional dos EUA reacendeu o debate sobre laboratórios biológicos mantidos no exterior. No entanto, segundo o analista internacional Adriel Kasonta, a revisão oficial reconhece riscos operacionais, mas não confirma a narrativa geopolítica sobre "armas biológicas".

Em entrevista à Sputnik, Kasonta afirmou que a alteração no tom do Gabinete da Diretora de Inteligência Nacional (ODNI), atualmente chefiado por Tulsi Gabbard, representa um ajuste relevante na postura dos Estados Unidos, mas não uma admissão das acusações que alimentaram disputas internacionais nos últimos anos.

Para o analista, é fundamental separar a existência de instalações de pesquisa biológica da narrativa sobre o desenvolvimento de "armas biológicas".

"Essas instalações, muitas delas remanescentes do Programa de Redução de Ameaças Biológicas da era soviética, foram projetadas para conter patógenos perigosos e prevenir justamente o tipo de 'liberação acidental' que a diretora Gabbard agora destaca como um risco em uma zona de guerra", destacou Kasonta.

Kasonta ressalta que as alegações russas e chinesas — de que os Estados Unidos operariam uma rede clandestina de laboratórios dedicados ao desenvolvimento de patógenos voltados a grupos étnicos específicos — permanecem sem comprovação. O que se reconhece, segundo ele, é a existência de laboratórios de saúde pública financiados pelos EUA, fato que nunca foi segredo.

Quanto à responsabilização dos EUA, o analista avalia que a mudança de postura do governo Trump indica uma tendência de supervisão alinhada ao princípio "America First", e não uma admissão de práticas ilícitas por administrações anteriores.

A investigação é apresentada como uma correção de falta de transparência e de uma "mentira por omissão" sobre a extensão do financiamento norte-americano em pesquisas biológicas no exterior.

Se a apuração identificar desvios de verbas ou pesquisas de ganho de função realizadas sem notificação adequada ao Congresso, Kasonta considera provável que a responsabilização ocorra por meio de mudanças no alto escalão do programa de Redução Cooperativa de Ameaças (CTR), do Departamento de Defesa, e pela redistribuição de autoridades de financiamento.

"De um ponto de vista estratégico, trata-se menos de um processo judicial e mais de a administração afirmar o controle sobre a burocracia do 'Estado Profundo' e sinalizar uma reaproximação mais ampla com Moscou, validando algumas de suas antigas queixas de segurança", explicou o analista.

Segundo Kasonta, a transparência sobre programas de pesquisa e a supervisão civil sobre atividades sensíveis serão essenciais para evitar que o tema continue alimentando teorias geopolíticas sem comprovação.

Por Sputnik Brasil