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Krugman aponta Trump como 'acelerador da decadência' dos EUA aos olhos da China
Economista afirma que visita de Trump a Pequim expõe fragilidade dos EUA e amplia vantagem estratégica chinesa.
O Nobel de Economia Paul Krugman afirmou que a China vê Donald Trump como “um acelerador da decadência americana” e avaliou que a visita do presidente dos Estados Unidos a Pequim ocorre em um momento de fragilidade geopolítica para Washington. Segundo Krugman, Trump enfraqueceu alianças históricas dos EUA, fracassou em revitalizar a indústria americana e ampliou a vantagem chinesa em setores estratégicos, como energia limpa e tecnologia. "Que espetáculo triste e patético", resumiu o economista em artigo publicado nesta quinta-feira, 14.
Krugman descreveu a viagem de Trump à China como a de um “suplicante” em busca de concessões de Xi Jinping, após recentes dificuldades internacionais, incluindo o que chamou de “derrota humilhante” dos EUA diante do Irã no Golfo Pérsico. Para ele, Pequim deve explorar a posição fragilizada de Washington para avançar avanços em temas como Taiwan e ampliar sua vantagem estratégica.
O economista avaliou ainda que Xi pode oferecer concessões limitadas para ajudar Trump politicamente, como compras de soja americana e acordos para executivos que acompanham a viagem. No entanto, ressaltou que a China pode usar o “status debilitado” do presidente americano “a seu favor” ao final do processo. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o que foi discutido nem se algum acordo bilateral foi fechado na reunião.
Segundo Krugman, apesar de problemas estruturais como desaceleração económica e crise demográfica, a China segue “em ascensão” no cenário global, enquanto os EUA perderam influência sob Trump. Ele destaca que parte desse avanço antecedeu o republicano: a produção chinesa ultrapassou a americana há cerca de 15 anos e a economia do país já supera a dos EUA em paridade de poder de compra desde 2015.
O economista sustenta que Trump “jogou fora” a principal vantagem geopolítica americana ao destruir alianças ocidentais, com ataques à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e disputas com aliados europeus e Canadá. Krugman também acusa o governo Trump de atrasar os EUA na corrida tecnológica e energética ao adotar políticas hostis às energias renováveis.
Em sua avaliação, a política tarifária de Trump contra Pequim, que deveria revitalizar a produção dos EUA, não produziu os resultados prometidos. Para Krugman, a ocorrência chinesa, inclui restrições a terras raras, expõe as vulnerabilidades americanas.
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