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Estudantes voltam às ruas em SP após repressão policial na USP; reitoria cria comissão de diálogo
Centenas de estudantes da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ocuparam a avenida Paulista na noite desta quarta-feira (13) em novo ato de protesto, quatro dias após a Polícia Militar desocupar à força a reitoria da USP no campus Butantã, zona oeste da capital.
O ato, que percorreu a avenida até a praça Roosevelt, reuniu também professores da rede municipal de São Paulo, trabalhadores e representantes sindicais, em ato unificado.
Os universitários estão em greve há quase um mês e cobram melhoria nas políticas de permanência estudantil, fim da terceirização dos restaurantes universitários, diálogo permanente sobre a gestão dos espaços estudantis e fim dos cortes no orçamento das universidades.
O centro do conflito é o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), principal política de assistência socioeconômica da USP. A universidade propôs reajuste pelo índice IPC-FIPE, elevando o benefício integral de R$ 885 para R$ 912 mensais, um acréscimo de R$ 27.
Os estudantes exigem que o valor seja equiparado ao salário mínimo paulista, atualmente em R$ 1.804, além da ampliação dos programas de permanência estudantil e melhoria nos restaurantes universitários, onde relatam ter encontrado larvas nos alimentos.
A greve teve início em 14 de abril. Entre outras reivindicações estão melhorias nas moradias estudantis e nos restaurantes universitários, conhecidos como bandejões. Mais de 100 cursos seguem paralisados.
Operação policial
A tensão escalou na madrugada do último domingo (10), quando cerca de 50 policiais militares desocuparam o saguão da reitoria, ocupado por estudantes desde quinta-feira (7). A operação começou por volta das 4h15 e durou cerca de 15 minutos. Cinco alunos foram hospitalizados e quatro foram detidos. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) denunciou uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e cassetetes.
Dois dias depois, na segunda-feira (11), durante ato na praça da República, os vereadores Adrilles Jorge e Rubinho Nunes compareceram à manifestação, e Rubinho passou a agredir fisicamente estudantes, trocando socos e chutando um que estava no chão.
A Polícia Militar respondeu ao confronto disparando bombas de gás lacrimogêneo. Rubinho Nunes sofreu ferimentos no rosto e foi encaminhado ao Hospital São Luiz Morumbi, com suspeita de fratura. Em razão do tumulto, uma reunião do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) foi cancelada.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu a ação da PM. "A polícia agiu como tinha que agir", afirmou. "A universidade é um espaço aberto, público, de debate. É um espaço de conhecimento, pesquisa, extensão, mas não pode ser um espaço de baderna, depredação e destruição do patrimônio público", disse o governador, sustentando que a corporação agiu "dentro dos limites da legalidade".
A reitoria da USP, por sua vez, sinalizou recuo parcial nesta quarta-feira. A universidade informou ter criado uma Comissão de Moderação e Diálogo Institucional "com o objetivo de promover a abertura de um novo ciclo de interlocução com a representação estudantil", sendo que a primeira reunião será agendada em breve. A medida ocorre após o reitor Aluísio Segurado ter declarado, na semana passada, que a proposta de R$ 912 era "final" e que não haveria novas negociações.
O vereador Rubinho Nunes afirmou que o que viu "não foi uma manifestação democrática, mas um ambiente tomado por radicalismo, intolerância e comportamento agressivo". O DCE, por sua vez, responsabilizou os parlamentares pelo início das agressões.
Outra marcha unificada das universidades estaduais está prevista para o dia 20 de maio, com o objetivo de aumentar a pressão sobre os reitores e sobre o governador Tarcísio de Freitas.
A mobilização também se soma à greve de professores da rede municipal de São Paulo, que reivindicam reajuste salarial.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não respondeu aos pedidos de posicionamento sobre o ato desta quarta-feira até o fechamento desta matéria. O governo do Estado de São Paulo também não se manifestou sobre a criação da comissão de diálogo pela reitoria da USP.
Por Sputinik Brasil
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