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Acordo Mercosul-UE começa com desvantagem sul-americana e protecionismo ambiental europeu
Especialistas destacam que o tratado, em vigor sob desequilíbrio estrutural, favorece interesses europeus e impõe desafios ao Mercosul.
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas avaliam que o acordo entre Mercosul e União Europeia inicia-se sob forte desequilíbrio entre as partes, desenhado para reduzir o poder de barganha dos países sul-americanos.
Tales Simões, professor de geografia política, afirma que o tratado foi estruturado para proteger os interesses industriais e agrícolas da UE, colocando o Mercosul como o "parceiro mais fraco, com menor capacidade de barganha e de definir as regras do jogo". Segundo ele, acordos assimétricos tendem a perpetuar a divisão internacional do trabalho.
Simões ressalta que as críticas recentes do presidente Lula, na Alemanha, às exigências ambientais europeias, evidenciam que o acordo já nasce sob tensão. Para o professor, o ponto central é a tentativa da UE de impor suas leis ambientais aos países do Mercosul, estabelecendo padrões de produção, rastreamento e certificação que desconsideram as particularidades locais.
Ele aponta ainda que o Brasil já prepara uma estratégia de reciprocidade frente às salvaguardas europeias, o que demonstra que o acordo representa mais uma aposta calculada do que uma vitória inequívoca.
O internacionalista Rodrigo Barros de Albuquerque reconhece que há pontos favoráveis ao Mercosul, como cronogramas de desgravação mais longos e cotas para produtos agrícolas sensíveis. No entanto, ele alerta que medidas unilaterais da UE, como o regulamento antidesmatamento, tendem a esvaziar parte dos ganhos tarifários previstos pelo acordo.
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