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FAB apura incidente entre aviões que quase se chocaram em Congonhas
Aeronaves da Azul e Gol ficaram a apenas 22 metros de distância durante decolagem e pouso em São Paulo; Cenipa investiga causas
A Força Aérea Brasileira (FAB) abriu investigação para apurar as circunstâncias do incidente que deixou dois aviões de passageiros separados por apenas 22 metros na manhã desta quinta-feira, 30, no Aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo. Sem conseguir contato com o avião da Azul que iniciava decolagem, a torre de controle determinou que o avião da Gol, que se aproximava para pouso, arremetesse para evitar possível colisão.
O episódio envolveu um Embraer 195-E2 da Azul Linhas Aéreas, que partia para Belo Horizonte (MG), e um Boeing 737-800 da Gol Linhas Aéreas, proveniente de Salvador (BA), que se preparava para aterrissar.
A FAB informou que irá analisar imagens e relatórios para verificar se houve perda de separação, termo utilizado quando aeronaves ficam abaixo da distância mínima estabelecida pelo Departamento de Controle do Tráfego Aéreo (Decea).
De acordo com a FAB, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foi acionado para realizar a ação inicial da apuração, que inclui coleta e validação de dados, preservação de evidências e levantamento de informações necessárias.
Segundo o Decea, a separação vertical mínima entre aeronaves, na maioria dos casos, é de 1.000 pés (300 metros), podendo variar conforme o porte das aeronaves.
O serviço global de rastreamento de voos Flightradar24 registrou a aproximação entre os aviões, e passageiros também gravaram vídeos do momento.
Imagens do canal Golf Oscar Romeo, no YouTube, mostram que a comunicação entre o controlador de voo e os pilotos foi tensa. Os registros indicam que a aeronave da Azul demorou para iniciar a corrida de decolagem, enquanto o avião da Gol se aproximava para pouso. Seguindo o protocolo, o controlador ordenou que a Azul abortasse a decolagem, mas não houve resposta da tripulação, e a aeronave prosseguiu com a subida.
Diante da ausência de resposta, o controlador instruiu o avião da Gol a arremeter, ou seja, ganhar altitude para tentar um novo pouso em segurança. Com a decolagem mantida pela Azul, a torre orientou a tripulação a realizar uma curva à direita e manter-se a 1.500 pés (450 metros).
Para o especialista em aviação Lito Sousa, a atuação do controlador foi decisiva para evitar um incidente mais grave. “Não houve perda de consciência situacional do controlador de voo em nenhum momento”, afirmou em sua página no Instagram. Segundo ele, a primeira camada de segurança – a comunicação com a tripulação da Azul – falhou, mas outras três camadas funcionaram, incluindo a comunicação com a tripulação da Gol e o provável acionamento dos dispositivos anticolisão das aeronaves.
Sousa ressaltou que, apesar da separação menor do que a prevista, as múltiplas camadas de proteção funcionaram como deveriam. “Como é praxe na aviação, o episódio será investigado para entender todos os fatores contribuintes e aprimorar os processos”, disse.
Em nota, a Azul informou que o voo AD6408 (Congonhas-Confins) seguiu os procedimentos operacionais previstos e destacou que a segurança é seu valor primordial. A empresa afirmou estar à disposição para colaborar com o Cenipa na apuração.
A Gol esclareceu que o pouso do voo G3 1629 ocorreu em segurança e dentro do horário programado, reforçando que todas as ações priorizaram a segurança. A companhia também afirmou colaborar integralmente com o Cenipa.
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