Geral

Burnout avança no Brasil e expõe limites do modelo de produtividade baseado em excesso de trabalho

No Dia do Trabalho, debate sobre saúde mental ganha força à medida que empresas buscam resultado sem ampliar desgaste das equipes

Carolina Lara 30/04/2026
Burnout avança no Brasil e expõe limites do modelo de produtividade baseado em excesso de trabalho
Fernanda Tochetto, - Foto: Divulgação

Cansaço constante, dificuldade de concentração e sensação de nunca conseguir se desligar do trabalho têm se tornado sinais recorrentes entre profissionais brasileiros. No Dia do Trabalho, celebrado em 1º de maio, o avanço dos casos de burnout reforça um debate que deixou de ser apenas individual e passou a envolver a forma como metas, jornadas e produtividade vêm sendo estruturadas nas empresas.

Segundo o relatório People at Work 2025, do ADP Research Institute, o Brasil liderou o ranking global de engajamento no trabalho entre 34 mercados analisados, com 29% dos profissionais totalmente engajados. O resultado indica disposição para entrega, mas também amplia a discussão sobre como sustentar desempenho sem esgotamento físico e mental.

Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como fenômeno ocupacional associado ao estresse crônico no trabalho, o burnout costuma se manifestar por exaustão física e mental, queda de rendimento e distanciamento emocional das atividades. Especialistas avaliam que o problema não está apenas no volume de tarefas, mas na manutenção contínua de rotinas que ignoram limites humanos.

Para a psicóloga e empresária Fernanda Tochetto, especialista em performance humana e desenvolvimento de lideranças, a principal falha está em tentar sustentar a alta entrega sem preservar a energia necessária para isso. “As pessoas não fracassam por não saber o que fazer, mas por não terem energia suficiente para sustentar o que precisa ser feito. A gestão da energia é o que separa quem começa de quem consegue ir até o fim”, afirma.

Segundo ela, o esgotamento costuma avançar de forma silenciosa. “O burnout não chega de uma vez. Aos poucos, a pessoa perde o foco, se sente mais cansada, começa a acumular tarefas e, quando percebe, já está sem energia e sem clareza”, diz.

Pressão por desempenho amplia desgaste

A associação entre produtividade e excesso de horas trabalhadas segue presente em muitas rotinas corporativas. Na prática, essa lógica tem contribuído para a normalização do cansaço permanente e para a dificuldade de reconhecer sinais precoces de desgaste.

“Existe uma crença de que produtividade está ligada ao volume de horas trabalhadas. Isso confunde movimento com resultado e faz com que sinais importantes do corpo, como cansaço, ansiedade e desânimo, sejam ignorados”, afirma Tochetto.

O efeito tende a ser contrário ao esperado. Queda de concentração, aumento de erros, acúmulo de pendências e perda de clareza comprometem a execução e reduzem a capacidade de manter consistência ao longo do tempo. “Muitas pessoas entram em um ciclo de desgaste em que se esforçam mais, mas conseguem produzir menos, justamente pela falta de energia”, explica.

Produtividade sustentável entra no centro da discussão

Com o avanço do burnout, parte das empresas passou a revisar modelos de gestão focados apenas em disponibilidade constante. A discussão sobre produtividade começa a migrar da gestão exclusiva do tempo para a capacidade real de sustentar desempenho.

Segundo a especialista, fatores físicos, emocionais e mentais influenciam diretamente essa equação. Sono inadequado, alimentação desorganizada, ambientes tóxicos, excesso de estímulos e falta de direção clara reduzem a energia disponível para decisões e entregas relevantes.

“A maneira como a pessoa organiza o dia, desde o momento em que acorda até a hora de dormir, impacta diretamente na energia disponível. Não é só sobre fazer mais, mas sobre conseguir sustentar o que realmente importa”, afirma.

Para Tochetto, a revisão desse modelo tende a ganhar força nos próximos anos, diante do aumento dos custos ligados ao adoecimento emocional e da pressão por resultados mais consistentes. “Sustentar resultados exige clareza sobre prioridades e disciplina para manter o foco no que faz sentido.”

O avanço do burnout amplia a percepção de que desempenho de longo prazo depende menos de jornadas extremas e mais de energia preservada, foco contínuo e rotinas capazes de combinar resultados com saúde.

Fonte de pesquisa

ADP Research Institute
https://in.adp.com/resources/insights/people-at-work.aspx

Organização Mundial da Saúde (OMS)
https://www.who.int/



Sobre Fernanda Tochetto

Fernanda Tochetto é empresária, psicóloga, mentora, escritora best-seller e podcaster. Com mais de 24 anos de experiência impulsionando o crescimento pessoal e acelerando resultados de empresários e negócios.

É também fundadora do Ecossistema de educação empresarial, TITTANIUM Club e criadora do Método TITTANIUM, um método de desenvolvimento empresarial focado em mentalidade de valor, liderança estratégica, construção de autoridade, modelos de negócio e vendas de alta performance. Hoje à frente das mentorias Tittanium Mentoring, exclusivo mentores e o Tittanium Doc, para área da saúde e medicina,  junto com o esposo, o neurocirurgião Dr. Isaac Bertuol. 

Cofundadora da Mentoring League Society (MLS), a maior liga de mentores do Brasil, ao lado de Flávio Augusto da Silva, Joel Jota e Caio Carneiro.

Autora de best-sellers, entre eles, Destrave Sua Vida e Saia do Rascunho. Também é apresentadora do podcast Saia do Rascunho com Fernanda Tochetto.

Para mais informações, visite o site oficial ou o Instagram.