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Morre John Craig Venter, pioneiro da decodificação do genoma humano

Biólogo norte-americano foi responsável por importantes avanços na genética e liderou projetos inovadores no sequenciamento do DNA.

30/04/2026
Morre John Craig Venter, pioneiro da decodificação do genoma humano
John Craig Venter

John Craig Venter, renomado cientista norte-americano, faleceu na quarta-feira, 29, aos 79 anos, em San Diego, Califórnia (EUA), em decorrência de complicações causadas por um câncer. Venter destacou-se por acelerar o processo de decodificação do genoma humano.

De acordo com o John Craig Venter Institute (JCVI), onde atuava como fundador, presidente do conselho e diretor executivo, Venter estava hospitalizado devido a efeitos colaterais inesperados do tratamento contra o câncer, diagnosticado recentemente.

“Honraremos seu legado dando continuidade à missão que ele construiu: promover a ciência genômica, defender os investimentos públicos que tornam as descobertas possíveis e estabelecer parcerias amplas para transformar conhecimento em impacto”, afirmou Anders Dale, presidente do JCVI, em nota oficial.

Antes de ingressar na pesquisa científica, Venter serviu como paramédico da Marinha dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã, entre 1967 e 1968. Posteriormente, formou-se em Bioquímica e obteve doutorado em Fisiologia e Farmacologia pela Universidade da Califórnia.

Em 1984, iniciou sua trajetória nos Institutos Nacionais de Saúde, onde desenvolveu as Expressed Sequence Tags (ESTs), método que consistia em sequenciar apenas partes de genes já expressos, acelerando a identificação de genes humanos em comparação ao sequenciamento completo do genoma.

Já em 1992, fundou o Instituto de Pesquisa Genômica. Três anos depois, Venter e sua equipe decodificaram o genoma do primeiro organismo de vida livre, a bactéria Haemophilus influenzae, utilizando uma técnica inovadora de sequenciamento de genoma completo. Em 1998, criou a Celera Genomics, com o objetivo de sequenciar o genoma humano por meio de métodos desenvolvidos por sua equipe.

Segundo o jornal The New York Times, à época, Venter criticou a lentidão do Projeto Genoma Humano, que custava US$ 3 bilhões, e afirmou que poderia entrar tardiamente na disputa e ainda assim vencer, por utilizar um método mais rápido.

As pesquisas da Celera Genomics culminaram na publicação do genoma humano na revista científica Science, em fevereiro de 2001. Venter e sua equipe também sequenciaram os genomas da mosca-da-fruta, do camundongo e do rato, ampliando o conhecimento sobre a genética de diferentes espécies.