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Copom eleva projeção de inflação para 2027 e mantém tom de cautela
Estimativa do IPCA para o horizonte relevante sobe para 3,5%, acima do centro da meta, e BC aponta riscos elevados para inflação.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central revisou para cima sua projeção para a inflação acumulada em 12 meses até o fim de 2027, passando de 3,3% para 3,5%. Com isso, o ano de 2027 se consolida como o horizonte relevante para a política monetária.
A nova estimativa permanece acima do centro da meta de inflação, que é de 3%. O cenário indica que a trajetória de juros prevista no Relatório Focus pode ser insuficiente para trazer a inflação ao alvo nos próximos seis trimestres. De acordo com as medianas do Focus divulgadas nesta quarta-feira, a taxa Selic deve encerrar 2024 em 13% e recuar para 11% ao final de 2027.
Na reunião desta quarta-feira (29), o Copom decidiu, de forma unânime, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50%. A decisão estava em linha com a expectativa de 33 das 37 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Ao justificar a decisão, o colegiado destacou o ambiente externo incerto, especialmente devido à indefinição sobre a duração dos conflitos no Oriente Médio, o que impacta as condições financeiras globais. "Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, diante da indefinição acerca dos conflitos no Oriente Médio", afirmou o comunicado oficial.
No cenário doméstico, o Copom ressaltou que "o conjunto de indicadores segue apresentando trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência".
A cotação do dólar utilizada nas projeções do comitê foi reduzida de R$ 5,20 para R$ 5,00. Já a mediana do Focus para o IPCA de 2026 subiu de 4,10% na reunião anterior para 4,86% agora. Para 2027, a estimativa passou de 3,80% para 4,00%.
O Copom também revisou sua projeção para o IPCA acumulado em 2026, de 3,9% para 4,6%, ultrapassando o teto da meta de inflação, que é de 4,5%. No mesmo cenário de referência, a projeção para a inflação de preços livres em 2026 subiu de 3,7% para 4,5%, com previsão de 3,5% para 2027. Para os preços administrados, a estimativa foi de 4,3% para 4,8% em 2026 e de 3,4% para 3,6% no horizonte relevante.
Todas as projeções consideram a evolução da taxa de câmbio segundo a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória da Selic prevista no relatório Focus e o preço do petróleo seguindo a curva futura por cerca de seis meses, com aumento de 2% ao ano posteriormente.
Juros reais
Com a Selic em 14,50%, o Brasil mantém a segunda maior taxa de juros reais do mundo, em 9,33%, conforme o ranking MoneYou/Lev Intelligence. Apenas a Rússia está à frente, com 9,67%. México (5,09%), África do Sul (4,62%) e Indonésia (3,31%) completam o ranking.
O Banco Central calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil — aquela que não estimula nem deprime a economia — é de 5,0%.
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