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Cartão de crédito segue como preferido dos brasileiros, mesmo com avanço do Pix
Estudo revela que, embora 87% da população utilize o Pix, 52% ainda elegem o cartão de crédito como meio de pagamento favorito
O avanço das tecnologias financeiras têm transformado a forma como os brasileiros lidam com o dinheiro, mas o cartão de crédito segue como protagonista na preferência nacional. É o que mostra um novo estudo sobre hábitos de pagamento no país: apesar de o Pix já ser utilizado por 87% dos brasileiros, o cartão de crédito ainda é o meio de pagamento preferido para 52% dos consumidores, enquanto o Pix aparece na segunda posição, com 26%, como revela o levantamento “Meios de Pagamentos 2025”, realizado pela Opinion Box.
O cenário atual reflete uma convivência entre diferentes formatos de pagamento. Dinheiro em espécie, cartões tradicionais e soluções digitais como Pix, pagamento por aproximação e QR Codes, fazem parte do cotidiano, indicando uma transição para um ecossistema financeiro mais diverso e integrado.
O cartão de crédito permanece amplamente inserido na rotina dos brasileiros. Segundo o levantamento, 9 em cada 10 usuários utilizam o meio tanto em lojas físicas quanto no ambiente online. A presença das fintechs também ganha destaque: 62% dos consumidores possuem cartões vinculados a bancos digitais, enquanto 65% ainda mantêm relacionamento com instituições tradicionais.
Outro dado relevante é o crescimento do pagamento por aproximação, já adotado por 81% dos usuários de cartão de crédito. A prática mais comum é aproximar o cartão da maquininha (63%), seguida pelo uso do smartphone (40%), evidenciando a busca por mais agilidade e praticidade nas transações.
Cultura do parcelamento sustenta protagonismo do crédito
Um dos principais fatores que explicam a preferência pelo cartão de crédito é a forte cultura de parcelamento no Brasil. O hábito de dividir compras está consolidado no comportamento do consumidor e, muitas vezes, é utilizado como estratégia de organização financeira.
De acordo com o estudo, 47% dos entrevistados afirmam parcelar compras de maior valor, enquanto 39% dizem recorrer ao parcelamento sempre que possível. A ampla oferta de opções sem juros no varejo reforça esse cenário e contribui para a manutenção do cartão como principal meio de pagamento, mesmo diante da ascensão de alternativas instantâneas.
Para Patrick Santos, doutor em Economia e gerente de planejamento da Multimarcas Consórcios, os dados reforçam um traço cultural do consumo no Brasil: a forte adesão ao parcelamento. “O brasileiro se acostumou a enxergar o crédito como uma extensão da renda, e o parcelamento, pela sua aparente facilidade, acaba sendo percebido como uma forma de viabilizar a antecipação da compra de bens de maior valor. Esse fator ajuda a explicar por que, mesmo com a popularização do Pix, o cartão de crédito ainda é preferido, especialmente pela possibilidade de diluir valores sem impacto imediato no orçamento. No entanto, é preciso cautela: o uso recorrente do parcelamento pode mascarar o real nível de comprometimento da renda e aumentar o risco de endividamento. O ideal é utilizar essa ferramenta de forma estratégica, preservando o equilíbrio financeiro no longo prazo”.
Pix se destaca pela agilidade e custo zero
Por outro lado, o Pix se consolida como o meio mais utilizado no dia a dia, impulsionado principalmente pela rapidez e pela ausência de tarifas. Entre os principais motivos apontados pelos usuários estão a liquidação imediata das transações (70%) e a inexistência de taxas (67%).
“O crescimento do Pix, e de outras ferramentas como as carteiras digitais, surge como consequência natural da digitalização da sociedade. A forma de consumir mudou, e fatores como agilidade e segurança se tornaram fundamentais para uma base de usuários cada vez mais conectada e imediatista”, explica Marlon Tseng, especialista em meios de pagamento e CEO da Pagsmile.
O uso do Pix é especialmente comum em transferências entre pessoas: 74% afirmam utilizá-lo para enviar dinheiro a amigos e familiares, 70% para movimentações entre contas próprias e 69% para recebimentos.
Apesar da alta adesão, ainda existem barreiras à sua utilização. Entre os brasileiros que não utilizam o Pix, 41% dizem não saber como usar a ferramenta, 29% preferem outros meios de pagamento e 12% apontam falta de confiança no sistema. Funcionalidades mais recentes, como o Pix parcelado, ainda apresentam baixa penetração, com 77% dos entrevistados afirmando nunca ter utilizado o recurso.
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