Geral

Padilha alerta para risco de sarampo em viajantes da Copa e critica negacionismo nos EUA

Ministro da Saúde manifesta preocupação com aumento de casos em países-sede da Copa do Mundo de 2026 e reforça importância da vacinação para viajantes.

29/04/2026
Padilha alerta para risco de sarampo em viajantes da Copa e critica negacionismo nos EUA
Ministro Padilha alerta para risco de sarampo em viajantes brasileiros durante a Copa do Mundo de 2026. - Foto: © Paulo Fonseca/Sputnik Brasil

Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, manifestou preocupação com o avanço dos casos de sarampo nos Estados Unidos, México e Canadá, países que sediarão a Copa do Mundo de 2026. O ministro criticou discursos antivacina e destacou parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para ampliar a campanha de imunização.

A elevação dos casos de sarampo nesses países acendeu um alerta nas autoridades de saúde brasileiras. Com a queda na cobertura vacinal em algumas regiões, o governo lançou uma campanha direcionada aos viajantes que pretendem acompanhar o torneio, buscando evitar que brasileiros não imunizados sejam expostos ao vírus e possam contribuir para a reintrodução da doença no Brasil.

Padilha ressaltou que a concentração recente de casos exige atenção redobrada. Segundo ele, embora tenha ocorrido uma redução proporcional em relação ao ano anterior, o volume ainda é preocupante, especialmente diante do intenso fluxo internacional esperado durante o evento esportivo.

"Os Estados Unidos, Canadá e México concentram a maior parte dos casos de sarampo. No ano passado, 90% dos registros ocorreram nesses países; agora, esse número está em torno de 70%. Nossa preocupação é que casos como esses cheguem ao Brasil e possam se propagar."

Em 2025, o Canadá registrou um forte aumento nos casos de sarampo, totalizando 5.062 notificações e perdendo o status de livre da doença. Em 2026, já foram contabilizados 871 casos, com transmissão ainda ativa. O México enfrenta situação semelhante: após apenas 7 casos em 2024, o país saltou para 6.152 casos em 2025 e já soma 9.207 em 2026. Nos Estados Unidos, o cenário também preocupa, com 2.144 casos registrados em 2025 e outros 1.738 neste ano.

Avanço do negacionismo agrava cenário

Ao comentar as causas do aumento recente, o ministro fez críticas contundentes ao crescimento de discursos negacionistas, sobretudo em países de grande influência global.

Segundo Padilha, a disseminação de informações falsas ou distorcidas sobre vacinas impacta diretamente a queda da cobertura vacinal, criando condições para o ressurgimento de doenças controladas. Ele alertou que esse fenômeno não se restringe a um único país, mas ganha destaque nos Estados Unidos, tanto pela dimensão do problema quanto pela influência de setores políticos.

"Os Estados Unidos vivem atualmente uma explosão de casos devido a políticas e discursos contrários à vacinação, inclusive por parte de autoridades do governo."

Para enfrentar o desafio e garantir que a mensagem chegue ao maior número possível de brasileiros, o Ministério da Saúde tem investido em uma ampla rede de parcerias. A estratégia envolve desde o engajamento de entidades esportivas até o contato com setores de turismo e transporte aéreo, aproveitando todos os pontos de contato com os viajantes. O objetivo é reforçar a importância da vacinação antes do embarque e reduzir os riscos de exposição internacional durante grandes eventos.

"Temos parceria com a CBF e federações estaduais para divulgação nos estádios. Procuramos as agências de turismo que organizam pacotes de viagem e as companhias aéreas, ou seja, todos os mecanismos para propagar essa campanha."

No Brasil, todas as pessoas entre 12 meses e 59 anos de idade têm indicação para serem vacinadas contra o sarampo.

Por Sputnik Brasil