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Astrônomos descobrem Abeona, um dos remanescentes de supernova mais tênues já vistos
Descoberta feita com radiotelescópio ASKAP revela detalhes inéditos sobre a aceleração de partículas de alta energia na Via Láctea
Abeona, um dos remanescentes de supernova de rádio mais tênues já identificados, foi confirmado por astrônomos a partir de dados do radiotelescópio ASKAP. A descoberta revela uma vasta casca não térmica fora do plano galáctico, oferecendo novas pistas sobre a aceleração de partículas de alta energia na Via Láctea.
O objeto, batizado de Abeona, foi detectado por meio de observações de rádio realizadas pelo ASKAP. Inicialmente sugerido como possível remanescente de supernova (SNR) em 2014, sua natureza foi confirmada por uma equipe internacional liderada por Christopher Burger-Scheidlin.
Abeona recebeu o nome da deusa romana das viagens porque a estrela que a originou se afastou do centro da galáxia antes de explodir.
Atualmente, o remanescente aparece como uma grande nuvem em forma de casca, extremamente tênue e de difícil detecção, emitindo apenas um tipo específico de radiação característica de eventos violentos como supernovas.

Com brilho superficial extremamente fraco, Abeona está entre os remanescentes de supernova de rádio mais tênues já mapeados. Os pesquisadores estimam que ele tenha cerca de 137 anos-luz de diâmetro e esteja a aproximadamente 16 mil anos-luz da Terra, localizado 1.500 anos-luz abaixo do plano galáctico.
As observações também revelaram polarização linear na parte norte da casca, típica de emissão sincrotron — fenômeno que ocorre quando elétrons são acelerados a velocidades próximas à da luz por campos magnéticos em espiral —, além de coincidência espacial com uma fonte de raios gama, sugerindo intensa aceleração de partículas de alta energia. Esses fatores reforçam a classificação do objeto como um SNR.
A ausência de um objeto compacto remanescente e sua posição fora do plano galáctico indicam que Abeona provavelmente se originou de uma supernova do tipo Ia, ou seja, resultante da explosão de uma estrela anã branca — um tipo de estrela pequena e muito densa. Assim, Abeona passa a integrar o seleto grupo de remanescentes de alta latitude que exibem emissão energética significativa.
De acordo com os autores, objetos como Abeona são fundamentais para o estudo dos processos de aceleração e difusão de raios cósmicos no meio interestelar. A descoberta ressalta a importância de levantamentos de rádio de alta sensibilidade para revelar estruturas tênues e pouco exploradas da Via Láctea.
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