Geral
Taxas de juros encerram o dia estáveis, apesar da alta do petróleo
Volatilidade marcou o pregão desta terça-feira, com influência do avanço do petróleo e do IPCA-15 abaixo das expectativas.
Em um pregão marcado por forte volatilidade e incerteza entre os agentes do mercado, os juros futuros perderam força na segunda metade da sessão e encerraram praticamente estáveis, mesmo diante da valorização de cerca de 3% nas cotações do petróleo. Segundo especialistas, o comportamento refletiu inicialmente relatos de que o Irã estaria próximo de apresentar uma proposta para encerrar a guerra, além de uma reavaliação do IPCA-15, divulgado abaixo do esperado, e de ajustes de posições típicos do fim de mês.
Ao final do dia, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuou de 14,133% para 14,115%. O DI para janeiro de 2029 fechou em 13,58%, levemente acima dos 13,575% do ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2031 caiu de 13,594% para 13,585%.
O IPCA-15, divulgado pelo IBGE na abertura dos negócios, acelerou de 0,44% em março para 0,89% em abril, a maior taxa para o mês desde 2022. Apesar disso, o índice ficou ligeiramente abaixo do piso das estimativas do Projeções Broadcast, que era de 0,90%. O resultado trouxe aumento nos núcleos, na difusão e nos preços dos bens industriais, o que justificou uma postura mais defensiva no mercado de renda fixa pela manhã.
Os contratos futuros de petróleo, principais influenciadores das taxas desde o início do conflito no Oriente Médio, também pressionaram os DIs nesta terça-feira. O contrato do Brent para julho, referência para a Petrobras, subiu 2,66% e fechou a US$ 104,40 por barril, refletindo o bloqueio no Estreito de Ormuz e a persistência do impasse entre Washington e Teerã.
Apesar da alta do petróleo, as taxas futuras começaram a ceder durante a tarde em todos os vencimentos. Para um economista de tesouraria, isso indica uma segunda avaliação do IPCA-15, que, embora tenha apresentado dados qualitativos pouco animadores, não foi tão negativo quanto sugeria a abertura da curva de juros.
"A composição do índice não foi das melhores, mas o dado surpreendeu para baixo e a curva pré já estava abrindo bastante nos últimos dias", avaliou o profissional à Broadcast. "A curva estava desajustada para o IPCA-15 realizado, então houve um ajuste ao longo do dia."
O estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, destaca que a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep+ tem viés desinflacionário global, mas ressalta que os preços do petróleo pouco reagiram à notícia. Em relação à inflação no Brasil, Cruz afirma que o impacto do choque de oferta mundial foi amenizado por ações rápidas do governo federal.
Segundo Cruz, companhias aéreas sentirão a pressão do aumento do querosene de aviação, o que deve aparecer nos índices de inflação. No entanto, ele acredita que o Brasil não enfrentará um choque tão severo quanto Ásia e Europa, onde já há recomendações para mais dias de home office e menos viagens aéreas devido à crise energética.
Diante desse cenário mais controlado, o estrategista-chefe da RB Investimentos observa que o mercado volta a discutir se e quando o Banco Central deve acelerar o ritmo de cortes da Selic. Para a reunião do Copom desta quarta-feira (29), as opções digitais negociadas na B3 apontam 93,5% de chance de uma nova redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros.
Mais lidas
-
1ANÁLISE MILITAR
Caça russo Su-35S é considerado superior ao F-16 e F-22 por especialista
-
2CULTURA
Marcello Novaes participa de show da banda dos filhos Diogo e Pedro
-
3POLÍTICA PÚBLICA
Alagoas é o primeiro estado a aderir à Conferência Nacional do Ministério da Pesca e Aquicultura
-
4POLÍTICA E ECONOMIA
Lindbergh critica postura de Galípolo e aponta corporativismo no caso Banco Master
-
5FUTEBOL
Náutico vence a Ponte Preta e fica na parte de cima da tabela da Série B do Brasileirão