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Ciro Nogueira: 'Se Flávio vier com discurso para a extrema direita, com certeza vai perder a eleição'
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, avaliou nesta segunda-feira (27) as chances de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial de 2026. As declarações foram feitas durante coletiva após jantar promovido pelo grupo Esfera Brasil, em São Paulo (SP).
Para Nogueira, Flávio tem a eleição "viabilizada", mas enfrenta um adversário de peso. "Ele está enfrentando o líder político de maiores vitórias da nossa história, que é o Lula, foi eleito três vezes. Tem um eleitorado cativo muito forte e a eleição vai ser decidida na margem de erro", disse. Por isso, na avaliação do senador, trata-se de uma disputa que "não se pode errar".
O senador condicionou a vitória de Flávio diretamente ao tom do discurso. "O candidato que vai ganhar essa eleição é o candidato que venha a falar para a maioria, para as pessoas que querem unificar o país.
Se o Flávio tiver esse discurso, ele tem tudo para ganhar essa eleição. Depende dele", afirmou. Nogueira, no entanto, disse: "Se ele vier com um discurso para a extrema direita, com certeza ele vai perder a eleição." Sobre a vice de Flávio, o senador foi questionado se o PP já considera garantida a vaga na chapa. Nogueira desviou da pergunta e colocou a discussão em segundo plano. "Muito mais importante para a federação é ganhar as eleições. Fazer um projeto consistente para o nosso país", disse.
Ele afirmou que a aliança PP-União Brasil não apoiará nenhum candidato por razões de cargo. "Vamos apoiar um candidato que tenha a capacidade de criar esse projeto vencedor para o Brasil. Lógico, se dentro dos nossos quadros tiver alguém que possa nos levar a ganhar a eleição, seria muito bom.
Mas o mais importante, pelas conversas que tenho com o presidente [do União Brasil, Antônio] Rueda, é um projeto vencedor para o Brasil." Questionado sobre Tereza Cristina (PP-MS) como possível vice, Nogueira elevou o nome da senadora ao topo da hierarquia política. "Tereza Cristina era o melhor nome para ser presidente da República. É um nome mais do que qualificado", afirmou. Defendeu ainda que sua presença na chapa de 2022 teria mudado o resultado. "Se ela tivesse sido candidata a vice do presidente [Jair] Bolsonaro na eleição passada, nós teríamos ganho aquela eleição." Sobre a estratégia do governador Romeu Zema (Novo-MG) de confrontar o Supremo Tribunal Federal (STF), Nogueira reconheceu apelo popular na postura, mas relativizou seu peso eleitoral.
"Existe um viés, grande parte da população tem esse sentimento. Mas acho que o presidente da república não deve ser eleito por conta disso. Nós temos que ter um debate muito maior para o nosso país", avaliou. Sobre o risco de Zema disputar votos com Flávio, o senador foi direto. "Difícil qualquer candidato hoje querer criar uma terceira via no nosso país. O processo eleitoral está muito consolidado entre Flávio e Lula."
No plano estadual, Nogueira confirmou apoio do PP à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e disse que deve vir a São Paulo na próxima semana para anunciar formalmente o apoio. Sobre as vagas ao Senado por São Paulo, defendeu concentração em torno do nome do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite. "O que a gente quer é unificar o quadro do centro e da direita. Se nós tivermos dois candidatos ao Senado únicos, a chance de vitória é muito grande", disse, ao ser questionado sobre os nomes de Ricardo Salles. "Com argumentos e critérios, a gente vai chegar a esse consenso." Por fim, Nogueira descartou qualquer interesse na vice de Flávio. "Sou candidato, tenho a minha missão no meu estado. Se eu tivesse de optar entre o Piauí e o Brasil, mil vezes o Piauí", afirmou. PSOL: Flávio tem "submissão" ao governo dos EUA [27/04/2026 23:06] Guilherme Correia: Já a presidenta nacional do PSOL, Paula Corado, criticou no mesmo evento a posição de Flávio Bolsonaro em relação às terras raras brasileiras. "Nossa posição é que as terras raras sejam usadas para desenvolvimento da indústria brasileira, que ela seja usada a benefício do Brasil", disse.
A declaração de Corado tem como pano de fundo a polêmica quando Flávio afirmou, durante a CPAC no Texas, que "o Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido" e que o país "é a solução dos EUA para quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente elementos de terras raras". A fala foi classificada pelo ministro Guilherme Boulos, do próprio PSOL, como "o fato mais grave das eleições de 2026 até aqui". "Essa declaração do Flávio Bolsonaro é só mais uma demonstração do comprometimento que eles têm com o governo norte-americano e que eles não têm compromisso nenhum com o Brasil e muito menos com o discurso nacionalista. É só uma demonstração da submissão que eles pretendem deixar o Brasil em relação aos Estados Unidos", disse Paula, questionada pela Sputnik Brasil em coletiva.
Corado e Ciro Nogueira participaram de jantar promovido pelo grupo Esfera Brasil, think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva, com objetivo de fomentar o diálogo entre os setores público e privado. O encontro foi restrito a autoridades e demais convidados, e a Sputnik Brasil foi um dos veículos presentes.
Por Sputinik Brasil
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