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MP denuncia 23 por esquema de corrupção em delegacias da Polícia Civil de SP
Denúncia envolve policiais civis, advogados e operadores financeiros em rede de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) , por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou 23 pessoas por envolvimento em um esquema suposto crime de lavagem de dinheiro e corrupção que atuou dentro de delegacias da Polícia Civil na capital paulista.
Entre os denunciados estão operadores financeiros ilícitos, advogados, intermediários e policiais civis, acusados de associação criminosa, corrupção ativa e passiva, além de fraude processual. Os nomes dos investigados não foram divulgados.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo afirmou que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha e colabora com as investigações do Ministério Público, reiterando que a corporação não tolera desvios de conduta de seus membros. "Todas as medidas legais e disciplinares cabíveis serão cumpridas caso sejam determinadas quaisquer irregularidades", informou a pasta.
De acordo com a denúncia, membros de uma organização dedicada à lavagem de dinheiro estruturaram uma rede de corrupção que passou a operar em unidades da Polícia Civil de São Paulo, como o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) e o 16º Distrito Policial (Vila Clementino, zona sul).
Segundo o Gaeco, o esquema envolve o pagamento sistemático de propina aos policiais civis responsáveis pelas investigações, com o objetivo de garantir a continuidade das atividades ilícitas do grupo. O MP-SP aponta que o grupo movimentava valores bilionários por meio de "empresas de fachada, evasão de divisas, 'ticketagem' com cartões de alimentação e outros mecanismos de lavagem de capitais".
Também foram identificadas manipulações em investigações, como retirada de documentos e substituições de dispositivos eletrônicos compreendidos, para dificultar a produção de provas.
Os primeiros registros dos pagamentos ilícitos datados de agosto de 2020, e as práticas deveriam continuar mesmo após operações da Polícia Federal e da Receita Federal, que já investigavam o grupo. O esquema teria durado pelo menos quatro anos.
Na denúncia, o Ministério Público solicita a manutenção das prisões preventivas já decretadas contra parte dos acusados. Também pede que outros envolvidos passem a usar tornozeleira eletrônica, evitem deixar a comarca, não mantenham contato com outros investigados e entreguem seus passaportes.
O MP-SP exige ainda garantias por dano moral coletivo, argumentando que a corrupção praticada por "agentes públicos responsáveis por investigações prejudicadas à confiança da sociedade nas instituições de segurança pública".
O Gaeco também busca o bloqueio de bens e valores dos policiais civis denunciados, até o limite de R$ 5 milhões por pessoa, para garantir o ressarcimento de danos e o pagamento de despesas processuais em caso de denúncias.
A denúncia foi apresentada no âmbito da Operação Bazar, desdobramento de procedimento investigatório criminal instaurado pelo Gaeco com base em provas compartilhadas pela Polícia Federal na Operação Recidere.
O Ministério Público informou que novas investigações deverão ser abertas para apurar outras condutas identificadas durante o trabalho, incluindo a possível participação de mais policiais e operadores financeiros.
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