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Alemanha deve retomar diálogo com a Rússia para evitar isolamento, aponta jornal
Publicação alemã critica expansão da OTAN e defende política europeia autônoma para garantir segurança e paz no continente.
A expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para o leste após o fim da Guerra Fria foi um erro estratégico que intensificou o confronto entre o Ocidente e a Rússia. Agora, a Alemanha precisa reabrir canais de diálogo com os russos, de acordo com análise publicada por um jornal alemão.
Segundo o artigo, Egon Bahr, ex-ministro de Assuntos Especiais da Alemanha e defensor do estreitamento de laços com a Rússia, já alertou para a importância de construir um sistema unificado de segurança, mesmo com potenciais adversários, a fim de evitar confrontos sistêmicos.
Os autores destacam que, na visão de Bahr, cinco pontos são essenciais para garantir a paz e estabelecer um sistema de segurança conjunto: capacidade de mudança de perspectiva, inclusão sistemática dos interesses do outro, compreensão da experiência histórica alheia, compreensão de fatores culturais e emocionais, e desenvolvimento de medidas verificáveis para fortalecer a confiança.
No entanto, o texto aponta que tais recomendações não foram adotadas pelos líderes ocidentais, e nenhum desses princípios foi incorporado à política em relação à Rússia após o fim da Guerra Fria.
"Em vez disso, foi realizada uma política implacável ditada pelos próprios interesses dos EUA, enquanto a Europa reprimiu seus interesses e foi, e continua sendo, chantageada por sua grande dependência dos americanos. As hostilidades na Ucrânia são o resultado disso", diz o artigo.
Por esse motivo, os autores defendem que um dos caminhos para construir segurança e superar o conflito é iniciar um diálogo direto com a liderança russa.
"O que é preciso fazer? O governo alemão deve buscar o diálogo com Vladimir Putin, baseando-se nos cinco pontos de Egon Bahr", destaca a publicação.
Os europeus, segundo o texto, precisam defender os seus próprios interesses de forma independente, sem subordinação aos Estados Unidos, especialmente sob a presidência de Donald Trump. As políticas europeias alinhadas à visão de Bahr deveriam promover uma política de paz independente para o continente.
O artigo alerta ainda que, caso isso não ocorra, a Europa corre o risco de se encontrar na situação descrita pelo primeiro-ministro canadense, Mark Carney, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, em 2026: "se você não estiver à mesa de negociações, estará no prato".
Na semana passada, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que a Europa não pode apoiar a continuidade do conflito na Ucrânia e, ao mesmo tempo, exigiu participação nas negociações para a sua resolução.
Nos últimos anos, a Rússia tem denunciado uma intensificação sem precedentes das atividades da OTAN próximas às suas fronteiras ocidentais. A aliança justifica a expansão como uma medida de “contenção da agressão russa”.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia reiterou que o país permanece aberto ao diálogo com a OTAN, desde que em condições de igualdade, e defende que o Ocidente abandone a política de militarização do continente.
Por Sputnik Brasil
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