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Taxas de juros sobem com temor de nova escalada da guerra e emissões do Tesouro Nacional
Os juros futuros negociados na B3 exibiram mais uma sessão de forte elevação nesta quinta-feira, 23, especialmente no miolo da curva a termo, cujos vencimentos chegaram a saltar mais de 20 pontos-base. Novamente, o principal foco de pressão veio da disparada do petróleo, com a percepção de que o conflito no Oriente Médio deve ter escalada adicional após o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, ter deixado a equipe de negociadores com os Estados Unidos. Em menor medida, a atuação do Tesouro Nacional, com uma emissão forte de títulos prefixados, também contribuiu para o aumento dos prêmios dos DIs.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,982% no ajuste de quarta para 14,14%. O DI para janeiro de 2029 saltou a 13,575%, vindo de 13,267% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2031 avançou de 13,36% no ajuste precedente para 13,625%.
Os ativos de risco, que já sofriam devido ao impasse nas tratativas entre Estados Unidos e Irã em meio a um frágil cessar-fogo, pioraram em bloco após relatos da mídia iraniana de que Ghalibaf abandonou a delegação de negociações de paz.
Anunciadas na etapa final da sessão, as novas medidas do governo para mitigar os impactos da guerra no Brasil não aliviaram a curva. A Fazenda propôs ao Congresso reverter o aumento da arrecadação com petróleo em redução de tributos sobre combustíveis.
Principal vetor sobre os prêmios de risco dos DIs desde a eclosão do confronto no Oriente Médio, o petróleo acelerou o ritmo de alta com a visão de que o conflito deve recrudescer, reacendendo temores de pressão inflacionária a uma semana da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). O barril do Brent para junho, que serve de referência para a Petrobras, fechou a sessão cotado a US$ 105,07, com avanço de 3,1%.
Nesta quinta, o Scotiabank atualizou suas projeções de preços do petróleo até 2027, ao incorporar o aumento da tensão no Oriente Médio. Em seu novo cenário, o banco prevê o Brent operando em uma faixa em torno de US$ 75 a US$ 85 o barril, acima da estimativa anterior de US$ 60 a US$ 70 no biênio 2026-2027, com preços permanecendo mais elevados até o primeiro semestre do próximo ano.
"Estamos com o cenário externo bem conturbado, o que está afetando fortemente os ativos globais. O petróleo segue pressionado, tendo tocando nos US$ 105", observa Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez. Nesse ambiente, Tavares avalia que o Banco Central vai cortar os juros em 0,25 ponto porcentual novamente, em linha com o consenso de mercado. "Temos resiliência e espaço para o BC poder cortar 25 pontos com tranquilidade, mesmo com volatilidade e incerteza. Somente um cenário muito catastrófico teria o poder de inverter isso", apontou.
Para Marco Antonio Caruso, economista do Santander, o ambiente externo teve alívio marginal desde o último encontro do Copom, mas mesmo assim o colegiado vai manter o corte mínimo, uma vez que o choque não diminuiu o suficiente para que o BC tenha conforto para uma redução de 0,5 ponto. A melhora externa, segundo ele, "torna mais difícil justificar uma pausa na calibração da Selic, mas não faz de um movimento de 50 pontos-base o próximo passo natural".
Do lado da oferta, o Tesouro disponibilizou 21 milhões de títulos prefixados, que foram absorvidos em sua totalidade pelo mercado. Das 16 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) vendidas, 10 milhões vencem em julho de 2029. Não por acaso, este foi o vértice nominal que mais subiu na curva a termo, tendo alcançado 13,575% em seu pico na sessão.
Nos cálculos da Warren Investimentos, o risco adicionado ao mercado pelo certame ficou em US$ 878,7 mil, 33% abaixo do leilão da semana anterior. Para o estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren, Luis Felipe Vital, a atuação mostra que a autoridade fiscal está acompanhando de perto as condições de demanda, uma vez que os lotes das duas últimas semanas foram mais robustos.
"Foi importante o Tesouro voltar a emitir em ritmo mais próximo da média do ano. Mas isso não muda a leitura de que o órgão voltou ao ritmo normal de emissões e que esse 'normal' é um ritmo forte", avaliou Vital.
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