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Viés do Ibovespa segue positivo por percepção sobre fluxo estrangeiro

18/04/2026
Viés do Ibovespa segue positivo por percepção sobre fluxo estrangeiro
- Foto: Depositphotos

Com os investidores investidores ainda um tanto ressabiados, e contidos por uma taxa de juros real ainda muito atrativa, o fluxo de compras para a Bolsa segue sustentado pelo ingresso estrangeiro líquido, fundamental, como no fim do ano passado, para a sucessão de registros empreendida pelo Ibovespa entre meados de janeiro e o fim de fevereiro, e retomada agora, em abril.

Bruno Takeo, estrategista da Potenza, avalia que o investidor internacional tem avaliação positiva sobre o Brasil, o que, na sua visão, abre espaço para novas altas do Ibovespa. “O estrangeiro vê o Brasil com bons olhos, mesmo com a eleição”, diz.

Para Takeo, o mercado externo tende a olhar mais para a direção da política econômica do que para o nome do vencedor em 2026. "Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, é mais do mesmo. Se mudar, pode melhorar."

A aproximação do Ibovespa dos 200 mil pontos abre espaço para o principal indicador da B3 buscar a região de 220 mil a 225 mil pontos, potencialmente com a eleição - ou até acima disso - se os vetores atuais permanecerem, na avaliação de Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.

Segundo ele, o Ibovespa vive um mercado altista sólido, iniciado por volta de maio de 2025, sem sinais claros de reversão - embora em meio, crescentemente, um ambiente de forte volatilidade. Mollo aponta combinação de alguns gatilhos que ainda sustentam a tendência de alta do índice e que ajudam a explicar por que o Brasil tem atraído fluxo estrangeiro mesmo no cenário de tornado global mais incerto pela tensão geopolítica.

Segundo o analista do Daycoval, o principal vetor é o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Com a taxa doméstica ainda elevada, os investidores internacionais têm capital direcionado ao País em busca de pagamentos: parte fica em renda fixa e outra parcela migra para a Bolsa. “Nesse cenário, o dinheiro tem saído dos EUA para o Brasil”, resume. A dinâmica ganha força à medida que a inflação global volta à pressão, diminuindo o espaço para cortes de juros nas economias desenvolvidas.

Outro elemento relevante, na leitura do analista, é o peso do petróleo na composição do Ibovespa. Com a alta da commodity, o mercado brasileiro - bastante exposto a empresas do setor, como Petrobras e companhias juniores de exploração e produção - tende a capturar parte desse movimento. Ao mesmo tempo, a magnitude da valorização do petróleo tem contribuído para a desvalorização do dólar futuro no Brasil, o que também influencia o posicionamento de investidores, diz.

No cenário doméstico, Mollo destaca que o País tem se diferenciado de outros emergentes ao combinar crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), desemprego baixo e inflação ainda relativamente próximo da meta. Esse conjunto, somado à carga fornecida por juros altos, tem colocado o Brasil como uma espécie de "porto seguro" relativo dentro do universo emergente, especialmente enquanto persistem as incertezas externas, como a guerra e seus efeitos sobre energia e preços, na visão do analista da Daycoval Corretora.

Selic

Para a política monetária, Mollo espera um corte de 0,25 ponto percentual, mas chama atenção para a possibilidade de o Banco Central sinalizar pausa para reavaliar os impactos do petróleo sobre a inflação. Se a “lacuna” de juros entre o Brasil e as economias desenvolvidas continuarem alto por mais tempo, acredita-se que a tendência é que o fluxo estrangeiro siga favorecendo o mercado brasileiro.

No radar, a eleição aparece como um fator relevante, mas não necessariamente o principal foco de estresse no curto prazo, na visão de Mollo. Conforme ele, apesar de acirrada e polarizada, a disputa tem se desenrolado com volatilidade menor do que em outros anos, com dois candidatos vistos como mais moderados. Ainda assim, ele ressalta que o tema decisivo para o investidor será o fiscal. Segundo o analista, qualquer que seja o vencedor, será necessário apresentar uma solução “concreta” para a trajetória da dívida pública.

Ele também chama atenção para uma possível rotação setorial na B3. Em caso de mudança no quadro político ou de percepção sobre estatais, a Petrobras poderia sofrer uma realização mais forte e parte do dinheiro migraria para setores domésticos que ainda estariam "defasados", como construção civil, varejo e bancos. Mollo, porém, não vê uma fuga estrutural de investimentos, mas sim realocações internacionais em conformidade com a mudança do ambiente.

Quanto às ações dos bancos, a leitura é de que os juros altos podem pesar, mas compensar por meio da melhoria do spread. Já o varejo "ainda não andou muito" e tenderia a reagir de forma mais consistente quando os juros começarem a cair com mais força - movimento que, na visão dele, depende da redução das incertezas globais, com uma guerra passando pelo segundo plano.

Por fim, Mollo observa que mudanças de postura no cenário internacional - como uma alteração de orientação política nos EUA - podem seguir como fonte importante de volatilidade, elevando o prêmio de risco e tornando mais difícil projetar movimentos com precisão. Ainda assim, ele retoma o momento com uma direção: apesar do ruído, a tendência do Ibovespa continua a ser de alta, e o bull market continua sólido e consistente.

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