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Lula alerta para riscos globais, defende reforma internacional e fala sobre 2026
Presidente critica postura dos EUA, pede mudanças na ONU e reafirma disposição para nova candidatura
Em entrevista recente à mídia ocidental , o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou temas que vão desde sua disposição para disputar as eleições de 2026 até questões geopolíticas e sua relação com o presidente dos EUA, Donald Trump.
Em Brasília, Lula afirmou que mantém a energia que o impulsionou desde a infância e que não aceita a palavra “impossível”. Segundo o presidente, sua motivação é diária o que sustenta sua permanência na política e o desejo de concorrer novamente.
Sobre a crise das tarifas norte-americanas aos produtos brasileiros, Lula relatou ter ficado sabendo com o que classificou como falsidade dos argumentos usados pelo governo dos Estados Unidos para importar as medidas. Ele afirmou ter dito ao presidente norte-americano que "dois países governados por dois homens de 80 anos deveriam conversar com maturidade" e defendeu que os líderes busquem respeito, não medo.
Ao comentar a atuação dos EUA no cenário internacional, Lula criticou a posição de que o poder econômico e militar do país defina as regras globais. Ele citou decisões como ataques ao Irã, que ignoram consequências como o impacto no preço dos combustíveis, e criticou o envolvimento do Conselho de Segurança da ONU em conflitos, dizendo que o mundo está "como um navio à deriva".
O presidente defendeu a necessidade de redefinir as instituições internacionais para recuperar novamente, argumentando que os membros permanentes do Conselho de Segurança não dão o exemplo. “A geopolítica de 1945 não é válida para 2026”, afirmou.
Lula também criticou o rearmamento global, ressaltando que muitos países estão sendo pressionados a aumentar gastos militares, enquanto ele prefere investir "em livros, alimentos e investimentos". O presidente disse ter telefonado para líderes como Xi Jinping, Narendra Modi, Vladimir Putin e Emmanuel Macron, convocando uma reunião para debater a escalada armamentista, e reforçou que nenhum chefe de Estado tem o direito de ameaçar outros países.
Questionado sobre os riscos de intervenção na América Latina, Lula disse sentir segurança e destacou que o Brasil vive um momento inédito de responsabilização institucional. Afirmou que a sua “guerra” é baseada no argumento racional e elogiou o acordo entre União Europeia e Mercosul, que, segundo ele, fortalece o multilateralismo.
Lula afirmou ainda que não cabe ao Brasil decidir sobre as eleições na Venezuela, mas sugeriu que, se estivesse no lugar da liderança venezuelana, convocaria um processo eleitoral acordado com a oposição. Criticou a postura dos Estados Unidos em relação ao país vizinho, dizendo que "não é normal pensar que possam governar a Venezuela".
O presidente concluiu a entrevista refletindo sobre a democracia, dizendo que ela "deve uma explicação ao povo", pois não se resume ao ato de votar. Lula também comentou que não acompanhou a missão norte-americana à Lua, pois prefere "manter os pés no chão; tenho muitos problemas aqui".
Por Sputnik Brasil
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