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Lula afirma que Conselho de Segurança da ONU tem sido omisso na busca por soluções de conflitos

Em conferência da ONU sobre espécies migratórias, presidente reforça defesa do multilateralismo e critica postura do órgão diante de crises globais

22/03/2026
Lula afirma que Conselho de Segurança da ONU tem sido omisso na busca por soluções de conflitos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou neste domingo, 22, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmando que o órgão tem sido omisso na busca por soluções de conflitos internacionais.

Lula abriu seu discurso durante a sessão especial da 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro (COP15) de Espécies Migratórias da ONU, em Campo Grande (MS), destacando que migrar é um processo natural. "A natureza não conhece limites entre Estados. A onça-pintada movimenta-se por quase todo o território preservado das Américas em busca de áreas para caçar e se reproduzir com segurança. Como ela, todos os anos, milhões de aves, mamíferos, répteis, peixes e até insetos atravessam continentes e oceanos", exemplificou.

Segundo Lula, a COP15 acontece em um momento de grandes tensões geopolíticas. "Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando regra", criticou, sem citar países específicos. O presidente ressaltou que, ao longo de 80 anos, a ONU teve papel relevante em processos como a descolonização, a proibição de armas químicas e biológicas, a recomposição da camada de ozônio, a erradicação da varíola, a afirmação dos direitos humanos e o apoio a refugiados e imigrantes. "Mas o Conselho de Segurança tem sido omisso na busca por soluções de conflitos", reforçou.

Lula alertou ainda que "um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima". Ele voltou a defender o multilateralismo como alternativa para os desafios atuais.

"A história da humanidade também é uma história de migrações, deslocamentos, vínculos e conexões. No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de política de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado. Que esta COP15 seja um espaço de avanços coletivos em defesa da natureza e da humanidade", concluiu.

Este foi o segundo discurso do presidente neste fim de semana com críticas à ONU. No sábado, 21, ao participar do Fórum Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac)-África, realizado em Bogotá, na Colômbia, Lula expressou indignação com a passividade dos membros do Conselho de Segurança diante das guerras.

"O que estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz (nesse momento, Lula bateu na mesa). E são eles que estão fazendo as guerras! E quando é que vamos tomar atitudes para não permitir que países mais poderosos se achem donos dos países mais frágeis?", questionou o presidente.

COP15

A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS) é realizada pela primeira vez no Brasil, em Campo Grande (MS), de 23 a 29 de março de 2026. O Brasil exerce a presidência da conferência pela primeira vez.

Acompanharam o presidente na sessão de abertura os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; as ministras do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva; e do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. Também esteve presente o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), além de outras autoridades locais.

Antes da sessão, Lula reuniu-se bilateralmente com o presidente do Paraguai, Santiago Peña, que também participou do evento. Diferente de Lula, Peña não comentou questões de política internacional.