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'Nunca falei com um narcotraficante em toda a minha vida', diz presidente da Colômbia
'Nunca falei com um narcotraficante em toda a minha vida', disse o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, na rede social X, nesta sexta-feira, 20. O pronunciamento surgiu após o jornal The New York Times informar que autoridades dos Estados Unidos investigam se o parlamentar tem alguma ligação com o narcotráfico.
Petro republicou uma postagem do jornal El Espectador, que mostra a revelação do The New York Times, no X, e comentou que na Colômbia não existe uma única investigação que relacione narcotráfico à sua pessoa pelo motivo de ele nunca ter falado com narcotraficantes.
"Ao contrário, dediquei dez anos da minha vida, com risco à minha própria existência e provocando o exílio da minha família, a denunciar os vínculos entre os narcotraficantes mais poderosos e os políticos no Congresso da República e nos governos locais e nacionais, no que denominei a época da governança paramilitar", finalizou o líder do executivo.
A reportagem em que Petro comenta mostra documentos em que ele foi designado como "alvo prioritário" pela Administração de Combate às Drogas dos EUA (DEA), enquanto procuradores federais em Nova York investigam suas supostas ligações com traficantes de drogas, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto e documentos vistos pela Associated Press.
Registros da DEA mostram que Petro surgiu em múltiplas investigações que remontam a 2022, muitas baseadas em entrevistas com informantes confidenciais. Os supostos crimes investigados pela DEA incluem seus possíveis negócios com o cartel de Sinaloa, no México, um esquema para usar seu plano de "paz total" em benefício de traficantes proeminentes que contribuíram para sua campanha presidencial, informou a AP.
Os registros também sugerem o uso de agentes da lei para contrabandear cocaína e fentanil através de portos colombianos.
A designação de "alvo prioritário" é reservada para suspeitos que a DEA considera terem um "impacto significativo" no tráfico de drogas. Os procuradores federais dos Estados Unidos se recusaram a comentar, assim como a DEA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da AP.
Petro tem negado consistentemente as acusações de tráfico de drogas, especialmente depois que Donald Trump o rotulou de "líder do narcotráfico" e o Departamento do Tesouro o sancionou no final de 2025 por supostos vínculos com o comércio, sem apresentar provas. Petro afirma que, embora seu governo combata agressivamente os principais cartéis, permanece focado em uma abordagem mais branda e social para pequenos agricultores que cultivam folha de coca.
Na publicação desta sexta, ele escreveu que disse aos responsáveis para não aceitarem doações de banqueiros ou narcotraficantes. "A investigação profunda e intensa sobre minha campanha presidencial não identificou um único peso proveniente do narcotráfico, porque essa é minha orientação e meu princípio pessoal como líder político".
Em seguida, concluiu: "Assim, os processos nos Estados Unidos servirão para desmontar as acusações da extrema direita colombiana, essa sim articulada até o pescoço com os narcotraficantes da Colômbia".
As investigações sobre Petro estão em fase inicial e não está claro se resultarão em acusações, de acordo com outra pessoa familiarizada com o assunto, acrescentando que a Casa Branca não teve qualquer participação nas apurações.
Membros da família sob investigação
Petro, um ex-líder rebelde, chegou ao poder prometendo reduzir a dependência do país em combustíveis fósseis e redirecionar recursos do Estado para combater a pobreza estrutural.
Em dado momento, criticou com frequência o governo Trump pelo apoio a Israel, pelos bombardeios a embarcações de narcotráfico no Caribe e comparou a repressão à imigração promovida pela Casa Branca a táticas "nazistas".
Seu filho, Nicolás Petro, foi acusado em 2023 de solicitar contribuições ilegais para sua campanha a um traficante condenado, com o objetivo de financiar um estilo de vida luxuoso, incluindo carros e imóveis caros. Nicolás se declarou inocente, e seu pai afirmou que nenhum dos valores foi utilizado em sua campanha.
As autoridades colombianas investigam há anos membros da família de Petro por possíveis atos criminosos.
O irmão do presidente, Juan Fernando Petro, também foi implicado em negociações secretas que teriam ocorrido com traficantes presos para protegê-los da extradição para os Estados Unidos em troca de seu desarmamento.
EUA e Colômbia
Conforme relatou a AFP, o atrito entre os dois líderes teve início quando Trump entrou em choque com o projeto de esquerda de Gustavo Petro, no poder desde 2022, que buscou aliados na América Latina contra Washington.
A ofensiva dos Estados Unidos lançada em setembro passado contra embarcações supostamente carregadas de drogas, primeiro no Caribe e depois também no Pacífico, intensificou a tensão diplomática.
Petro participou da Assembleia Geral da ONU e, em seguida, de um protesto nas ruas de Nova York, no qual instou militares americanos a desobedecer Trump.
Em meio a uma guerra de declarações entre os dois líderes, Washington retirou o visto e aplicou sanções econômicas contra Petro e vários membros de sua família. Trump chegou a ameaçar ações militares na Colômbia após a operação e a captura, em 3 de janeiro, do presidente venezuelano Nicolás Maduro, preso em Nova York à espera de julgamento por narcotráfico.
Trump e Petro, no entanto, abriram uma inesperada via de diálogo e concordaram com uma visita do colombiano a Washington, realizada em fevereiro. As supostas relações de Petro com o tráfico de drogas foram debatidas publicamente na Colômbia, informou a AFP.
Ao mesmo tempo, Petro tem defendido medidas como a legalização da maconha pelo Congresso e promoveu diálogo com grupos guerrilheiros dissidentes, acusados por Washington de financiar-se com o tráfico de drogas.
*Com informações de agências internacionais.
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