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Taxas de juros futuras recuam após queda do petróleo e falas de Netanyahu

Mudança no cenário internacional, com recuo do petróleo e declarações do premiê israelense, impulsiona alívio nos juros futuros no Brasil.

19/03/2026
Taxas de juros futuras recuam após queda do petróleo e falas de Netanyahu
- Foto: Depositphotos

A curva de juros futuros, que vinha ganhando inclinação ao longo da tarde desta quinta-feira (19) diante das perspectivas de prolongamento do conflito no Oriente Médio, teve uma reviravolta nas últimas horas do pregão. O movimento foi impulsionado por declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que sugeriu uma iminente derrota do Irã na guerra, levando ao recuo dos preços do petróleo e ao alívio nos mercados domésticos.

Segundo Netanyahu, Estados Unidos e Israel estariam vencendo o confronto, com as forças militares iranianas supostamente "destruídas" e sem capacidade de enriquecer urânio ou produzir mísseis balísticos. "A guerra contra o Irã acabará muito mais rápido do que as pessoas pensam. Estamos vencendo a guerra e o Irã está sendo destruído", afirmou o premiê em entrevista ao Canal 12. Após suas declarações, o petróleo, que operava em alta, inverteu a tendência: o WTI caiu mais de 3% no mercado eletrônico e o Brent recuou 2%.

Outro fator positivo, ainda que com menor influência, foi a licença do Tesouro dos EUA para a Rússia exportar petróleo bruto e derivados em navios a partir de 12 de março. Além disso, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou o início da liberação de volumes iniciais de suas reservas de emergência, com previsão de alcançar 426 milhões de barris entre os países-membros.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 14,124% para 14,095%. O DI para janeiro de 2029 recuou de 13,685% para 13,675%, enquanto o DI para janeiro de 2031 passou de 13,858% para 13,825%.

Alívio veio do exterior

"Essa melhora veio de fora", afirmou Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, destacando as falas de Netanyahu, a liberação das reservas da AIE e o afrouxamento das sanções americanas contra a Rússia. "Essas falas de Netanyahu têm tom de vitória. O receio é que isso seja outro blefe", ponderou.

Um economista de uma grande tesouraria comentou ao Broadcast, do Grupo Estado, que o objetivo de Israel seria impedir que o Irã produza uma bomba nuclear, mas destacou que, no fim das contas, o fator determinante para os preços dos ativos é a situação do estreito de Ormuz. "Sinceramente, estou achando a melhora do mercado muito exagerada", avaliou, lembrando que não houve liberação efetiva da rota estratégica, por onde passa um quinto do petróleo mundial.

Sobre o estreito, Netanyahu informou que está tentando auxiliar os EUA na reabertura. "Se conseguirmos, os preços do petróleo devem cair. Se não conseguirmos, seremos chantageados de formas que não podemos imaginar", disse.

Copom tem impacto secundário

Apesar do foco no cenário internacional, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual teve pouca repercussão na curva de juros. Para Marcelo Bacelar, gestor da Azimut Brasil Wealth Management, o movimento de steepening observado até a inversão das taxas também foi influenciado pelo comunicado do Copom, considerado 'dovish' pela maior parte do mercado.

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