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Recurso negado por Moraes reacende debate sobre vínculos entre Master e Judiciário

Decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, mantém ação penal contra investidor e levanta questionamentos sobre relações entre escritório de sua família e o Banco Master.

Por Sputinik Brasil 19/03/2026
Recurso negado por Moraes reacende debate sobre vínculos entre Master e Judiciário
Alexandre de Moraes nega recurso e decisão reacende debate sobre relações entre Master e Judiciário. - Foto: © Foto / Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, negou em maio de 2025 um recurso apresentado por Vladimir Timerman, investidor da Esh Capital e desafeto do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão ocorreu no mesmo período em que Vorcaro também processou Timerman, sendo representado pelo escritório Barci de Moraes — pertencente à esposa do ministro, Viviane Barci, e seus filhos — que mantinha contrato milionário com o Banco Master.

Embora não tenha configurado impedimento formal, a coincidência entre os processos ilustra como as redes de influência de Vorcaro, dono do Master, se conectavam ao Judiciário. Na ocasião, o escritório de Viviane atuou em uma denúncia-crime movida por Vorcaro contra Timerman no Tribunal de Justiça de São Paulo, sob acusação de calúnia e difamação.

Segundo a Folha de S.Paulo, na ação paulista, a defesa de Vorcaro buscou descredibilizar Timerman ao listar processos em que ele figurava como réu, incluindo um movido por Nelson Tanure — empresário investigado como possível sócio oculto de Vorcaro. Ao negar o trancamento desse processo no STF, Moraes manteve válido um dos argumentos usados ​​por Viviane para sustentar a tese de persecução.

No recurso analisado, Timerman solicitou o encerramento da ação penal em que era acusado de perseguir Tanure nas redes sociais. Moraes rejeitou o pedido, alegando inexistência de ilegalidades e garantindo amplo direito de defesa ao investidor, alinhando-se às decisões anteriores do TJ-SP e do STJ.

A Primeira Turma do STF confirmou, por unanimidade, a decisão de Moraes, com votos de Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Luiz Fux. À medida que o contrato do escritório Barci de Moraes com o Banco Master segue vigente, e ainda não há tempo adquirido foram reveladas as fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do banco ao BRB, nem as conexões de Vorcaro com figuras políticas e jurídicas.

Enquanto isso, o processo movido por Tanure foi comprovado nas reportagens de Timerman a um ano, dez meses e quinze dias de prisão, sentença que ele contesta. Já a denúncia-crime apresentada por Vorcaro foi rejeitada por falta de justa causa pela juíza Maria Tojeira, em setembro de 2025.

Em nota, o STF afirmou à Folha que não havia qualquer hipótese de impedimento ou suspeita, pois o caso não tinha relação com o escritório da família de Moraes. O ministro, entretanto, enfrentou prejuízo adicional após vir à tona a suspeita de troca de mensagens com Vorcaro no dia da prisão do banqueiro.