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Guerra no Oriente Médio pressiona fertilizantes e acende alerta no agronegócio brasileiro
Conflito eleva preços, reduz oferta e expõe vulnerabilidade do setor agrícola nacional, altamente dependente de importações.
A intensificação do conflito no Oriente Médio acendeu um sinal de alerta para o agronegócio brasileiro, diante do risco crescente de desabastecimento de fertilizantes, conforme afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Favaro.
Segundo o ministro, a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã já provocou uma alta de até 35% nos preços da uréia no Brasil, fazendo com que inclusive alguns vendedores a suspenderem as ofertas, mesmo com estoques disponíveis. O cenário pressiona um setor que depende fortemente de registros estrangeiros, enquanto os agricultores buscam alternativas mais acessíveis.
Favaro destacou que a interrupção do transporte marítimo no estreito de Ormuz — rota estratégica por onde circula cerca de um terço do comércio global de fertilizantes — intensificou a pressão desde o final de fevereiro. O ministro criticou o que foi classificado como “oportunismo”, ao mencionar que produtos já estocados no país foram “reprecificados sem justificativa”.
De acordo com a consultoria StoneX, os preços da uréia entregue ao Brasil subiram cerca de 35% em apenas duas semanas, tornando o consumo menos atraente para os compradores. Diante disso, importadores e agricultores buscam opções mais baratas, como o sulfato de amônio.
Dados da StoneX mostram que, nos dois primeiros meses do ano, as importações brasileiras de uréia caíram 33%, enquanto as compras de sulfato de amônio aumentaram 19%. Embora a ureia seja mais técnica em nutrientes, sua pequena competitividade com a forte elevação dos preços.
Favaro alertou ainda que um conflito prolongado pode gerar riscos mais amplos para o agronegócio nacional, que importou um recorde de 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025. A dependência externa torna o setor especialmente vulnerável a choques geopolíticos.
Ainda segundo apuração da mídia britânica, a recente queda nos preços das exportações agrícolas brasileiras agrava o cenário, conforme avaliação do analista da StoneX, Tomás Pernias, pois reduz a margem dos produtores e dificulta ainda mais a absorção de aumentos bruscos nos custos dos insumos.
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