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Atraso atinge 82% dos navios de guerra dos EUA em construção, aponta especialista

Segundo Andrew Latham, crise no setor naval reflete incertezas estratégicas e falta de definição de objetivos para a Marinha norte-americana.

18/03/2026
Atraso atinge 82% dos navios de guerra dos EUA em construção, aponta especialista
Navio de guerra dos EUA em estaleiro: 82% das embarcações em construção estão atrasadas. - Foto: © AP Photo / Robert F. Bukaty

O setor de construção naval dos Estados Unidos enfrenta uma crise prolongada e aguda, com 82% dos navios em estaleiros atrasados em relação ao comissionamento planejado. A avaliação é do professor de relações internacionais e teoria política Andrew Latham, em artigo publicado na revista 19FortyFive.

Para Latham, a crise não decorre apenas de falhas nos estaleiros ou da capacidade produtiva, mas é resultado de décadas de estagnação estratégica.

Segundo o professor, a escassez de trabalhadores, a complexidade tecnológica, a burocracia excessiva e os frequentes atrasos são apenas parte de um problema maior, relacionado ao planejamento estratégico da Marinha dos EUA.

"O problema mais profundo está nas origens. Os problemas de aquisição da Marinha refletem não apenas dificuldades de produção, mas também um longo período de incerteza estratégica. Se Washington não puder decidir de qual frota precisa, os construtores navais nunca poderão entregá-la a tempo", escreveu Latham.

O especialista destaca que o índice de 82% de navios atrasados revela não só falhas no setor militar-industrial, mas também a ausência de objetivos estratégicos claros para a frota marítima.

Latham relembra que, durante a Guerra Fria, a Marinha dos EUA mantinha clareza no planejamento e na definição das embarcações necessárias, em meio à corrida armamentista contra outra superpotência. O comando militar sabia exatamente as missões da frota.

Com o fim da União Soviética, porém, os militares norte-americanos perderam a clareza sobre o papel da frota. Nos anos 1990, a estratégia da Marinha mudou o foco para contraterrorismo, guerra irregular e operações costeiras.

"Os Estados Unidos esperavam passar mais tempo lidando com minas, pequenas embarcações e litorais permissivos do que enfrentando uma marinha rival capaz de contestar o controle do mar", observa Latham.

O autor ainda ressalta que a China possui uma visão estratégica mais definida para sua construção naval, com o objetivo de desafiar a supremacia norte-americana no Pacífico ocidental e restringir a liberdade de ação da Marinha dos EUA nas águas próximas a Taiwan.

Nesse contexto, Latham compara o atraso norte-americano aos avanços chineses.

Como resultado, o especialista conclui que os navios de guerra dos EUA são lançados ao mar anos depois de mudanças no cenário geopolítico que motivaram seus projetos originais.

Por Sputnik Brasil