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Petróleo em alta ameaça crescimento dos EUA e pode adiar cortes de juros pelo Fed
Escalada dos preços, impulsionada por tensões no Oriente Médio e fechamento parcial do estreito de Ormuz, pressiona inflação e dificulta alívio na política monetária norte-americana.
A disparada dos preços do petróleo, após o fechamento parcial do estreito de Ormuz, ameaça desacelerar o crescimento econômico dos Estados Unidos, reacender a inflação e adiar cortes de juros pela Reserva Federal (Fed). Economistas alertam que a cotação próxima de US$ 100 por barril pode reduzir o PIB norte-americano e pressionar ainda mais consumidores e empresas.
Segundo o Financial Times, o petróleo já subiu quase 50% desde o fim do mês passado, elevando os preços da gasolina e do diesel. Esse cenário alimenta preocupações de que o Fed seja forçado a adiar cortes de juros, justamente às vésperas de sua primeira decisão desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Economistas consultados pelo Clark Center for Global Markets afirmam que, se o petróleo se mantiver em torno de US$ 100 (R$ 529,63), o crescimento dos EUA deve desacelerar de forma acentuada.
A situação foi agravada pelo fechamento parcial do estreito de Ormuz por Teerã, rota estratégica por onde transita um quinto do petróleo mundial. A interrupção provocou uma crise global de abastecimento e ameaça reduzir ainda mais as projeções de crescimento para 2026.
De acordo com a pesquisa, 68% dos especialistas estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA perderá entre 0,25 e 0,5 ponto percentual neste ano caso o petróleo permaneça elevado. Apenas uma minoria vê algum efeito positivo.
O alerta contrasta com o discurso da Casa Branca, que minimiza o impacto econômico da guerra e afirma que o conflito não deve alterar substancialmente as perspectivas da maior economia do mundo.
O cenário se complica ainda mais porque a economia norte-americana já vinha perdendo fôlego. Dados recentes mostram crescimento de apenas 0,7% no último trimestre de 2025, após avanço de 4,4% no período anterior. O mercado de trabalho também apresenta sinais de enfraquecimento, com a perda de 92 mil empregos em fevereiro e demissões em larga escala em diversos setores.
A alta dos combustíveis pressiona a inflação, que segue acima da meta do Fed. O índice de gastos com consumo pessoal (PCE) está em 2,8%, e mais de 80% dos economistas acreditam que o petróleo a US$ 100 pode adicionar até 0,5 ponto percentual à inflação até o fim do ano. Isso tende a atrasar ainda mais o retorno do núcleo do PCE ao objetivo de 2%.
Segundo a mídia britânica, seis em cada dez especialistas consultados pelo centro de pesquisa projetam que a inflação norte-americana só deve retornar à meta em 2028, ampliando o horizonte em relação às expectativas de dezembro. Com isso, cresce a percepção de que o Fed deverá manter os juros elevados por mais tempo, frustrando apostas de cortes ainda em 2026.
Os mercados já precificam que a autoridade monetária manterá a taxa básica entre 3,5% e 3,75% na decisão desta quarta-feira (18), enquanto a alta do petróleo empurra o próximo corte para a primavera (Hemisfério Norte) de 2027. O Fed também divulgará novos “gráficos de pontos”, que devem refletir maior cautela diante do choque energético.
Entre os economistas consultados, um terço já não espera reduções de juros ao longo de 2026. Para alguns, como o professor Stephen Cecchetti, a incerteza é tão grande que a postura mais prudente é aguardar: o Fed, diz ele, terá pouca margem para agir enquanto o conflito no Oriente Médio continuar a distorcer preços e expectativas.
Por Sputnik Brasil
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