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Nasa confirma data para primeira missão tripulada à Lua em 50 anos

Missão Artemis 2 levará quatro astronautas em voo ao redor da Lua; lançamento está previsto para abril de 2025

17/03/2026
Nasa confirma data para primeira missão tripulada à Lua em 50 anos
O foguete lunar Artemis II SLS (Space Launch System) da NASA com a espaçonave Orion volta lentamente em direção ao edifício de montagem de veículos no Kennedy Space Center, quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, em Cabo Canaveral, Fla. - Foto: AP/John Raoux

A Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço dos Estados Unidos (Nasa) confirmou o lançamento da missão Artemis 2, que marcará o retorno de astronautas à órbita lunar após mais de 50 anos. A decolagem está programada para ocorrer a partir de 1º de abril.

Com duração estimada de 10 dias, a missão contará com quatro astronautas: o comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover, a especialista em missão Christina Koch, ambos da Nasa, e o especialista em missão Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA).

A tripulação será transportada a bordo da espaçonave Orion, lançada pelo Space Launch System (SLS) – o novo foguete de grande porte da Nasa – a partir do Complexo de Lançamento 39B, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida.

Será a primeira aproximação de astronautas à Lua desde a missão Apollo 17, em 1972. Em 2022, a Nasa realizou a missão Artemis 1, sem tripulação, para coletar dados fundamentais para esta nova etapa do programa.

Nos dois primeiros dias da Artemis 2, os astronautas farão verificações dos sistemas da Orion e executarão um teste de demonstração de mira próximo à Terra, antes de partirem rumo à Lua. O trajeto até o satélite natural deve durar cerca de quatro dias, levando a equipe ao redor do lado oculto lunar.

“Durante esse período de três horas, os astronautas analisarão e fotografarão formações geológicas, como crateras de impacto e antigos fluxos de lava”, informou a Nasa em comunicado.

A agência destacou ainda que a tripulação utilizará o treinamento em geologia realizado em sala de aula e em ambientes terrestres análogos à Lua para descrever detalhes de formações, texturas e cores, contribuindo para desvendar a história geológica da região. Essas habilidades serão essenciais nas futuras explorações do Polo Sul lunar.

No ponto mais distante, a missão levará os astronautas a 7,4 mil quilômetros além da Lua. O retorno à Terra, também previsto para durar cerca de quatro dias, incluirá avaliações contínuas dos sistemas da Orion.

“Em vez de exigir propulsão no retorno, essa trajetória com baixo consumo de combustível aproveita o campo gravitacional da Terra e da Lua, garantindo que – após sua viagem ao redor do lado oculto da Lua – a Orion seja atraída de volta naturalmente pela gravidade da Terra para a parte de retorno livre da missão”, explicou a Nasa.

A reentrada ocorrerá em alta velocidade e temperaturas elevadas, com a amerissagem prevista para o Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego. A equipe de resgate, formada por profissionais da Nasa e do Departamento de Defesa dos EUA, será responsável por receber os astronautas e levá-los de volta à terra firme.

O programa Artemis tem como objetivo estabelecer uma presença sustentável na Lua para fins científicos e de exploração. Segundo a Nasa, a iniciativa abre caminho para futuras missões humanas de longa duração tanto na Lua quanto em Marte.

“Pela primeira vez em mais de 50 anos, esses indivíduos – a tripulação da Artemis 2 – serão os primeiros humanos a voar para as proximidades da Lua. Entre os tripulantes estão a primeira mulher, a primeira pessoa não branca e o primeiro canadense em uma missão lunar”, destacou Vanessa Wyche, diretora do Centro Espacial Johnson da Nasa.

Vanessa acrescentou que a missão representa um avanço para a exploração humana do espaço profundo, criando oportunidades para descobertas científicas e novas parcerias comerciais, industriais e acadêmicas, além de inspirar a chamada Geração Artemis.