Geral
INSS suspende consignados do C6 e exige devolução de R$ 300 milhões a aposentados
Banco é acusado de irregularidades em contratos com aposentados; C6 nega infrações e afirma seguir normas
Correção: Esta matéria foi atualizada para corrigir uma imprecisão no sétimo parágrafo, referente à menção ao JPMorgan. O trecho "O serviço é fornecido por uma segurança do JP Morgan, que é acionista de pouco menos da metade do C6" foi substituído por "O serviço é fornecido por uma segurança em meio aos empréstimos do banco, que tem como acionista do JP Morgan". Também foi acrescentado o posicionamento do C6 sobre a suspensão do empréstimo consignado.
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspendeu novos empréstimos consignados do banco C6 após identificar irregularidades em contratos firmados com contratados da Previdência Social. O órgão exige que o banco devolva R$ 300 milhões aos segurados. Em nota, o C6 nega qualquer irregularidade e afirma seguir “rigorosamente todas as normas vigentes” (leia mais abaixo).
A decisão foi tomada após a Controladoria-Geral da União (CGU) identificar pelo menos 320 mil contratos de consignados com seguros e pacotes de serviços embutidos, caracterizando uma possível venda casada.
Os auditores consideraram a irregularidade grave, pois reduzem o valor líquido disponibilizado aos investidores. O INSS proíbe a inclusão de custos extras, como taxas, prêmios e seguros não relacionados diretamente ao empréstimo.
O banco só poderá retomar a oferta de novos consignados após restituir os valores cobrados de forma indevida.
Para operar o produto e descontar as parcelas diretamente da conta dos investidores, o banco mantém um acordo de cooperação técnica com o INSS, que foi rescindido como parte da negociação.
A decisão do INSS foi fundamentada em apuração da CGU, que encontrou irregularidades em milhares de contratos entre o C6 e aposentados.
Entre as constatações, os auditores identificaram a inclusão indevida de um seguro de R$ 500 nos contratos de consignados. O serviço é fornecido por uma garantia em meio aos empréstimos do banco, que tem como acionista o JP Morgan.
Segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação, entre 2020 e 2025 o C6 faturou R$ 20 bilhões com créditos consignados. No primeiro ano, ao lançar o C6 Consig, tinha 514 clientes; em 2025, já somava 3,3 milhões de contratos.
O banco já foi condenado judicialmente a indenizar aposentados que declararam descontos sem ter contratado consignados, além de ter firmado acordo com o Ministério Público Federal para coibir fraudes nesses contratos.
Outro lado
Em nota, o C6 afirmou discordar “integralmente da interpretação do INSS”. O banco declarou que buscará seu direito de defesa na esfera judicial, pois “não praticou nenhuma irregularidade e rigorosamente todas as normas vigentes”.
“O banco esclarece que a contratação do consignado nunca esteve condicionada à compra de nenhum outro produto e que não desconta parcelas monetárias referentes à contratação de pacote de benefícios”, afirmou a instituição.
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