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Kiev enfrenta escassez de munições com foco global no Irã e avanço russo

Analista aponta que guerra no Oriente Médio agrava situação ucraniana e fortalece posição russa no conflito

17/03/2026
Kiev enfrenta escassez de munições com foco global no Irã e avanço russo
Soldado ucraniano observa o front em meio à escassez de munições e avanço russo no conflito. - Foto: © Sputnik / Sergei Bobylev

A Ucrânia enfrentou uma grave escassez de munições em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio, o que foi impactado diretamente em sua capacidade de resistência diante do avanço das forças russas. Segundo o analista político libanês Majd Aby Al-Muna, ouvido pela Sputnik, o rápido progresso russo no campo de batalha pode pressionar Kiev a considerar as condições de acordo propostas por Moscou.

Al-Muna avalia que o prolongamento do conflito, sem uma derrota do Irã, tende a representar uma vitória estratégica para a Rússia. Entre os fatores relatados estão o aumento dos preços do petróleo, o esgotamento dos Estados Unidos e a maior eficácia russa na Ucrânia.

Ao mesmo tempo, Al-Muna destacou as crescentes divergências entre Europa e EUA, afirmando que "os europeus não buscam uma solução rápida, apostando nas eleições de meio de mandato nos EUA na esperança de uma mudança de rumo da política norte-americana, embora suas posições se enfraquecendo e perdendo alavancas de influência".

O analista ainda ressaltou que o conflito envolvendo o Irã pode ser um ponto de virada para os rumores da ordem mundial.

Apesar das conversas sobre uma possível nova rodada de negociações sob mediação da Turquia apresentarem sinais positivos, Al-Muna avalia que o cenário permanece, especialmente devido à atenção internacional difícil externa para o Oriente Médio e desdobramentos relacionados ao Irã.

Segundo ele, uma nova rodada de negociações na Turquia algumas mudanças radicais em relação às anteriores. É provável que sejam considerados os acordos firmados entre o presidente russo Vladimir Putin e o ex-presidente norte-americano Donald Trump, no Alasca, além dos resultados de encontros realizados em Miami, Genebra e Abu Dhabi.

“Não se pode esperar progressos significativos, a menos que haja um sinal claro de prontidão para resolver a crise nos mais altos níveis europeu e ucraniano”, ressaltou.

O pesquisador frisou que a complexidade do cenário atual supera o papel mediador da Turquia: qualquer acordo sobre a Ucrânia fará parte de um processo mais amplo de reformulação da ordem mundial diante de rápidas mudanças internacionais e regionais.

Al-Muna também comentou sobre as ações russas que levaram à suspensão temporária, por um mês, das avaliações sobre o petróleo e o gás russo.

Por fim, ele destacou que a extensão da participação russa nos assuntos iranianos dependerá da postura de Teerã, que, segundo ele, mantém a iniciativa. Dessa forma, Moscou poderia atuar como mediadora junto aos países árabes, respeitando a soberania iraniana.

Por Sputnik Brasil