Geral

Boulos afirma que governo enviará projeto urgente pelo fim da escala 6x1 se houver 'enrolação' no Congresso

Ministro reforça compromisso do Planalto com a redução da jornada semanal para 40 horas e implantação do regime 5x2 sem corte salarial

17/03/2026
Boulos afirma que governo enviará projeto urgente pelo fim da escala 6x1 se houver 'enrolação' no Congresso
- Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta terça-feira, 17, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentará um projeto de lei em regime de urgência para pôr fim à escala 6x1, caso identifique uma "estratégia de enrolação" por parte do Congresso Nacional sobre o tema.

"Lula já tomou uma decisão. Estamos respeitando o trâmite do Legislativo, como deve ser. Mas, se ao final de março percebermos que há uma estratégia de enrolação no Congresso, Lula vai apresentar um projeto de lei em regime de urgência, que deverá ser votado em 45 dias", declarou o ministro.

Segundo Boulos, a proposta do governo prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, o fim da escala 6x1 e a adoção do regime 5x2, tudo isso sem redução salarial para os trabalhadores.

Boulos foi entrevistado nesta terça-feira, 17, no programa “Bom Dia, Ministro”, da EBC. Ele ressaltou que “vamos ter o fim da escala 6x1 aprovada até o fim do ano, não que dependa do governo”, evidenciando o comprometimento do Palácio do Planalto com a pauta.

Apesar do compromisso, o ministro alertou para uma “operação em curso contra o fim da 6x1”. “Quem comanda essa operação, além dos lobbies empresariais, é Valdemar Costa Neto, a União Brasil, os Republicanos, os partidos da direita bolsonarista do Brasil”, afirmou. Vale lembrar que União Brasil e Republicanos possuem ministros na gestão atual.

Boulos defendeu que a redução da jornada de trabalho é um "projeto da família brasileira", pois proporciona "mais tempo com a família".

“Atualmente, temos aumento na renda, do salário mínimo, mas o trabalhador percebe que não compensa, pois mantém a mesma carga de trabalho”, avaliou. "De 1988 para cá, tivemos tantos avanços tecnológicos na produtividade. Por que o trabalhador precisa trabalhar o mesmo tempo?", questionou.

O ministro também destacou que “toda vez que se fala em direito do trabalhador, há ocorrência visceral dos grandes privilegiados, patrões, empresários, do andar de cima”, o que, segundo ele, “não é novidade”. Ele citou as respostas à Lei Áurea como exemplo, argumento utilizado por outros membros do governo para defender a redução da jornada.

"Quando vemos a CNI, CNA, CNC, editoriais da grande mídia se manifestando contra a escala, esse filme já vimos antes. Ninguém esperava apoio deles para a pauta dos trabalhadores, porque nunca apoiaram no Brasil", afirmou.

"Esses são os mesmos que levantam a voz para dizer que defendem a família. Sabe o que é defensor da família brasileira neste momento? É defensor o fim da escala 6x1. Isso é uma defesa real, não apenas discurso", concluiu.